Caso em Boquim reacende debate sobre fogos com estampido e proteção animal em Sergipe

Caso que comoveu moradores e ganhou repercussão na Alese reforça cobrança por regulamentação e fiscalização da lei estadual

A morte de um cachorro registrada no dia 25 de junho, após ele se assustar com fogos de artifício durante as comemorações da noite de São João, entre os dias 23 e 24, em Boquim, reacendeu em Sergipe o debate sobre o uso de fogos com estampido e a necessidade de fiscalização da Lei nº 9.729/2025. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, comoveu moradores, mobilizou defensores da causa animal e chegou à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), onde voltou a ser discutida a efetividade da legislação.

Segundo relatos divulgados por protetores de animais, o cão teria sofrido um forte susto com as explosões dos fogos durante as festividades juninas. O episódio gerou uma onda de manifestações de pesar e indignação, além de reforçar os alertas sobre os riscos que os estampidos representam para animais e pessoas com sensibilidade auditiva.

Comoção ultrapassou as redes sociais

O caso rapidamente mobilizou entidades de proteção animal, moradores de Boquim e internautas de diversas cidades sergipanas. Publicações lamentando a morte do animal repercutiram nas redes sociais e reacenderam a discussão sobre a necessidade de substituir os fogos barulhentos por alternativas silenciosas.

Veterinários explicam que cães e gatos possuem audição muito mais sensível que a dos seres humanos. O barulho intenso pode provocar crises de pânico, desorientação, fugas, problemas cardíacos e, em situações extremas, levar o animal à morte.

Além dos animais, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos, bebês e pacientes hospitalizados também podem sofrer com os efeitos dos estampidos.

Debate chegou à Assembleia Legislativa

A repercussão do episódio chegou ao plenário da Assembleia Legislativa, onde o deputado estadual Georgeo Passos voltou a defender a regulamentação da Lei nº 9.729/2025, originada do Projeto de Lei nº 406/2023, de sua autoria.

Segundo o parlamentar, a legislação representa um importante avanço, mas precisa ser regulamentada para definir como será realizada a fiscalização e garantir sua efetiva aplicação.

A norma restringe a utilização de fogos de artifício com estampido, preservando os fogos de vista, que produzem apenas efeitos visuais e permitem que as celebrações continuem acontecendo sem o impacto provocado pelas explosões sonoras.

Fiscalização é apontada como principal desafio

Embora a lei já esteja em vigor, entidades de proteção animal e familiares de pessoas com autismo defendem que a fiscalização seja intensificada, principalmente durante períodos como o São João, quando aumenta significativamente a comercialização e utilização de fogos de artifício.

A cobrança envolve a fiscalização em barracas de venda, depósitos, distribuidores e também durante eventos públicos e particulares, evitando o uso de produtos que descumpram a legislação.

Para defensores da causa, a morte do cachorro em Boquim demonstra que a conscientização da população é importante, mas precisa ser acompanhada por uma atuação efetiva dos órgãos responsáveis.

Tradição e respeito podem caminhar juntos

A Lei nº 9.729/2025 não acaba com as festas juninas nem proíbe os espetáculos pirotécnicos. Os fogos de vista continuam permitidos, preservando o brilho das celebrações sem provocar os fortes estampidos que afetam pessoas e animais.

O caso registrado em Boquim transformou-se em um símbolo da discussão sobre a necessidade de conciliar tradição, inclusão e proteção à vida. Para muitos, a comoção provocada pela morte do animal serve como um alerta para que a legislação seja efetivamente cumprida e para que episódios semelhantes não voltem a acontecer.

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