Pacatuba e Ilha das Flores estão entre os municípios mais afetados; fenômeno é influenciado por baixa pressão e aquecimento do Atlântico.

O estado de Sergipe registrou um volume de chuvas muito acima da média histórica durante o mês de junho de 2025, segundo dados divulgados pela Gerência de Meteorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac). A anomalia pluviométrica atingiu todas as regiões do estado, com destaque para o Baixo São Francisco, onde municípios como Pacatuba e Ilha das Flores enfrentaram volumes extremos de precipitação.
De acordo com a Semac, os acumulados registrados em junho superaram significativamente os padrões climatológicos esperados para o mês. Em Pacatuba, por exemplo, choveu mais de 500 milímetros, enquanto a média histórica para o período é de 140 mm. Já em Ilha das Flores, a chuva acumulada foi de 486,1 mm, quando o habitual para o mês é de 145 mm.
As autoridades ambientais explicam que o fenômeno é resultado de um conjunto de fatores atmosféricos e oceânicos. “Isto se deve ao prolongamento da baixa pressão e umidade atmosféricas e ao aquecimento do Oceano Atlântico adjacente, o que provoca grande possibilidade de chuvas no estado”, informou a Gerência de Meteorologia da Semac.
Previsão para julho mantém cenário chuvoso no estado
Segundo a Semac, a tendência é de continuidade desse cenário de chuvas intensas ao longo do mês de julho. A previsão estendida indica que Sergipe e os demais estados do Nordeste devem manter precipitações acima da média em diversas regiões. No entanto, o semiárido nordestino deve registrar volumes dentro da média climatológica para esta época do ano.
A permanência das chuvas representa um alívio para áreas que historicamente enfrentam déficit hídrico durante este período, mas também acende o alerta para riscos de alagamentos, deslizamentos de encostas e outros impactos causados pelo excesso de água em áreas urbanas e rurais.
A Semac reforça a importância do monitoramento contínuo, especialmente em municípios que já vêm enfrentando volumes de chuva acima do normal desde maio. “Estamos acompanhando os acumulados diariamente e mantendo contato com as defesas civis municipais para fornecer alertas e informações técnicas quando necessário”, afirmou o órgão.
Municípios do Baixo São Francisco concentram os maiores volumes
Os dados oficiais destacam a região do Baixo São Francisco como a mais afetada pelas chuvas intensas de junho. Além de Pacatuba e Ilha das Flores, outros municípios da área registraram acumulados superiores a 400 mm no mês, o que representa até três vezes o volume médio para o período.
Esse cenário elevou o nível dos rios locais e aumentou o volume dos reservatórios, o que, por um lado, é positivo para o abastecimento e para a agricultura, mas também impõe desafios à infraestrutura urbana, especialmente em áreas ribeirinhas vulneráveis.
Fatores climáticos explicam o volume atípico
O principal fator meteorológico responsável pelas chuvas intensas em Sergipe é a atuação prolongada de sistemas de baixa pressão e a elevada umidade atmosférica. Além disso, o aquecimento anormal das águas do Oceano Atlântico adjacente à costa nordestina tem contribuído significativamente para a formação de nuvens carregadas e episódios de chuvas fortes e persistentes.
Meteorologistas da Semac explicam que essa combinação tem potencial para manter a atmosfera instável por semanas, favorecendo a ocorrência de pancadas de chuva mesmo fora do período tradicionalmente mais úmido.
“Esse padrão climático atual favorece a formação de áreas de instabilidade que atingem o estado de maneira recorrente, especialmente nas regiões litorâneas e de transição para o agreste”, destacou a equipe técnica da Semac.
Impactos e recomendações
Com volumes tão acima da média, alguns municípios já enfrentam problemas pontuais relacionados às chuvas. Áreas de encosta em zonas urbanas passaram a ser monitoradas por risco de deslizamento, e comunidades ribeirinhas vêm sendo orientadas pelas defesas civis locais para permanecerem atentas ao nível dos rios.
Além dos riscos diretos, há impactos indiretos sobre a mobilidade urbana, a agricultura familiar e a infraestrutura das cidades. Estradas vicinais danificadas, lavouras alagadas e dificuldade de acesso a comunidades rurais são alguns dos efeitos reportados por prefeituras do interior do estado.
A Semac reforça que a população deve seguir as orientações dos órgãos de Defesa Civil e manter atenção redobrada nos próximos dias. A recomendação é evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores durante temporais e, em caso de sinais de risco iminente, acionar imediatamente os canais de emergência.



