Economista vê defesa de Lula por moeda alternativa ao dólar como fator em sobretaxa dos EUA sobre produtos brasileiros

A defesa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de uma moeda alternativa ao dólar nas negociações do Brics pode ter contribuído para o aumento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação é de Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, em entrevista publicada pelo portal Poder360. Segundo ele, a postura do governo brasileiro teve “peso importante” na decisão norte-americana de sobretaxar produtos do país.

Foto: Reprodução da Internet

Brasil entrou em disputa sem estar no centro do conflito

Para Barros, a fala de Lula acabou inserindo o Brasil em um embate geopolítico que até então não o incluía. “Até então o Brasil não estava nessa lista de países com sanções e com tarifas. […] Mas o Brasil, apesar de não ter nenhuma guerra, não ter nenhum conflito geopolítico, entrou gratuitamente nesse conflito”, declarou o economista.

O especialista destacou que a defesa de alternativas ao dólar é comum entre nações que enfrentam restrições internacionais, como Rússia, China e Irã. Ao sinalizar que não pretende desistir de ampliar as transações comerciais em outras moedas, Lula teria “instigado alguma reação” dos Estados Unidos, principalmente após o encontro do Brics realizado no Rio de Janeiro, em agosto.

Relação com os Estados Unidos e possível reação política

Na avaliação de Barros, a fala do presidente brasileiro foi interpretada como uma “reação proposital” ao governo de Donald Trump. Essa percepção reforçaria a leitura de que o Brasil se alinhou a países que buscam contornar o sistema financeiro global dominado pelo dólar.

O posicionamento, segundo ele, pode ter acendido um sinal de alerta em Washington, levando à adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros.

Risco de novas retaliações comerciais

Barros também alertou para a possibilidade de novas medidas norte-americanas caso o Brasil mantenha relações comerciais próximas à Rússia. Atualmente, o país de Vladimir Putin é o maior fornecedor de diesel para o Brasil e também vende petróleo, derivados e fertilizantes ao mercado nacional.

Apesar de esses itens não terem sido incluídos na recente sobretaxa, o economista vê espaço para mudanças. “Esse risco vem crescendo ao longo das últimas semanas. Se isso acontecer, o Brasil pode ter bastante dificuldade para se reequilibrar do ponto de vista de atividade econômica”, afirmou.

Impacto econômico em pauta

As tarifas impostas pelos Estados Unidos podem ultrapassar 100% e, se aplicadas sobre setores estratégicos para a economia brasileira, teriam forte impacto sobre a atividade produtiva. Além disso, eventuais restrições ao comércio de combustíveis e insumos agrícolas com a Rússia poderiam comprometer a competitividade do agronegócio e pressionar a inflação no país.

Para especialistas, o Brasil enfrenta um dilema: diversificar suas relações comerciais e fortalecer o Brics, sem abrir mão da parceria estratégica com os Estados Unidos, que ainda é um dos maiores mercados para produtos brasileiros.

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