
Campanha nacional busca ampliar a informação sobre a doença neurológica, combater o preconceito e incentivar o reconhecimento dos primeiros sintomas para garantir tratamento adequado e qualidade de vida aos pacientes
O mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Laranja, movimento nacional dedicado à conscientização sobre a esclerose múltipla, doença neurológica crônica, autoimune e sem cura que afeta o sistema nervoso central. A iniciativa tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre a enfermidade, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar que, com tratamento adequado, é possível controlar a evolução da doença e proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes.
Embora ainda seja considerada uma doença pouco conhecida por grande parte da população, estima-se que milhares de brasileiros convivam com a esclerose múltipla. O diagnóstico costuma ocorrer entre os 20 e 40 anos de idade, fase considerada produtiva da vida, atingindo principalmente mulheres, embora homens também possam desenvolver a enfermidade.
Especialistas alertam que reconhecer os primeiros sinais é fundamental para iniciar o tratamento o mais cedo possível, reduzindo o risco de sequelas permanentes e retardando a progressão da doença.
O que é a esclerose múltipla
A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que o próprio sistema imunológico passa a atacar a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal.
Quando essa camada é danificada, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo fica comprometida, provocando sintomas que podem variar de acordo com a região afetada do sistema nervoso.
Apesar de não ser contagiosa nem hereditária de forma direta, fatores genéticos e ambientais podem aumentar o risco para o desenvolvimento da doença.
Quem pode desenvolver
Embora possa surgir em qualquer idade, a esclerose múltipla é mais frequente entre jovens adultos.
Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão:
- predisposição genética;
- deficiência de vitamina D;
- tabagismo;
- infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr;
- fatores ambientais e imunológicos.
As mulheres são diagnosticadas com maior frequência do que os homens, especialmente na faixa entre os 20 e os 40 anos.
Sintomas variam de paciente para paciente
Uma das principais características da esclerose múltipla é que os sintomas podem ser bastante diferentes entre os pacientes e, muitas vezes, aparecem em surtos.
Entre os sinais mais comuns estão:
- visão embaçada ou perda temporária da visão;
- visão dupla;
- formigamento e dormência nos braços, pernas ou rosto;
- fraqueza muscular;
- dificuldade para caminhar;
- perda de equilíbrio;
- tonturas;
- fadiga intensa;
- rigidez muscular;
- alterações urinárias;
- dificuldade de concentração e memória.
Como muitos desses sintomas também podem estar relacionados a outras doenças, a avaliação por um neurologista é indispensável para confirmação do diagnóstico.
Diagnóstico precoce faz diferença
Segundo especialistas, quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução.
O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica, exame neurológico e exames complementares, como a ressonância magnética, além de outros testes que ajudam a confirmar a presença das lesões características da doença.
O tratamento precoce reduz a frequência dos surtos, diminui o risco de incapacidades futuras e melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Tratamento está disponível pelo SUS
Embora ainda não exista cura para a esclerose múltipla, o Brasil oferece tratamento gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os recursos disponibilizados estão:
- medicamentos modificadores da doença;
- medicamentos para controle dos surtos;
- acompanhamento com neurologistas;
- fisioterapia;
- terapia ocupacional;
- fonoaudiologia;
- acompanhamento psicológico;
- reabilitação multiprofissional.
O acesso ao tratamento ocorre por meio dos Centros Especializados e da rede pública de saúde, conforme os protocolos clínicos do Ministério da Saúde.
Informação combate preconceitos
Outro objetivo do Agosto Laranja é combater a desinformação que ainda cerca a doença.
Muitas pessoas acreditam, por exemplo, que todo paciente com esclerose múltipla precisará utilizar cadeira de rodas, o que não corresponde à realidade. A evolução varia conforme cada caso e depende, principalmente, da rapidez no diagnóstico e da adesão ao tratamento.
Com os avanços da medicina, muitos pacientes conseguem manter suas atividades profissionais, estudar, praticar exercícios físicos e levar uma vida ativa durante muitos anos.
Campanha reforça importância da conscientização
Durante todo o mês de agosto, instituições de saúde, associações de pacientes e entidades médicas promovem ações educativas para divulgar informações sobre a doença e estimular a procura por atendimento diante dos primeiros sintomas.
A campanha também busca fortalecer a inclusão social das pessoas que convivem com a esclerose múltipla e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em todas as regiões do país.



