Ação articulada pelo Ministério da Justiça e pelo MAPA apura uso de documentos falsos e plantio irregular que ameaça a citricultura nacional
A Polícia Federal deflagrou, na manhã de ontem, a Operação Citrus, uma ação articulada com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para investigar o suposto uso de documentação falsa na aquisição de mudas clandestinas de laranja em Sergipe

De acordo com informações da Superintendência Regional da Polícia Federal, o cumprimento de mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça Federal, ocorreu em uma residência localizada em Aracaju. A operação contou com o apoio técnico de peritos do MAPA, responsáveis pela fiscalização e análise do material apreendido.
Mudas clandestinas e risco à citricultura
Durante a ação, técnicos do Ministério da Agricultura constataram a existência e o plantio de mudas irregulares, sem registro oficial e fora dos padrões exigidos pela legislação. Essas práticas, segundo o MAPA, representam grave risco à citricultura nacional, podendo facilitar a disseminação de pragas e doenças que afetam plantações de laranja em todo o país.
Os peritos alertaram que o uso e a comercialização de mudas clandestinas favorecem a propagação do greening, também conhecido como huanglongbing (HLB), considerada a doença mais destrutiva dos citros no mundo. Causada por uma bactéria transmitida por insetos vetores, ela compromete a produtividade das árvores e torna os frutos inviáveis para comercialização.
Ameaça à produção e impacto econômico
O greening já é apontado por especialistas como uma das principais ameaças à citricultura brasileira, setor que movimenta bilhões de reais e gera milhares de empregos diretos e indiretos, especialmente nos estados de São Paulo, Bahia e Sergipe.
Com a detecção de mudas ilegais no território sergipano, há preocupação de que o problema se alastre para áreas produtivas da região, prejudicando agricultores e exportadores locais. O uso de material genético sem procedência, segundo o MAPA, coloca em risco não apenas as plantações de laranja, mas também a credibilidade das cadeias produtivas do suco cítrico brasileiro no mercado internacional.
Investigações e possíveis penalidades
A Polícia Federal informou que as investigações estão em andamento para identificar todos os envolvidos na aquisição e no plantio das mudas ilegais. Os investigados poderão responder pelos crimes de uso de documento falso e crime ambiental, conforme previsto na legislação brasileira.
As penas podem incluir multa e reclusão, além de sanções administrativas aplicadas pelo MAPA, que poderá determinar a destruição das mudas e o embargo das áreas contaminadas.
Em nota, a corporação destacou que o objetivo da operação é coibir práticas que comprometam a segurança fitossanitária da citricultura nacional e prevenir a disseminação de pragas que afetam a produção de frutas cítricas no país.
Contexto e prevenção
O plantio e a comercialização de mudas de laranja, tangerina e outros citros devem obedecer a normas rigorosas de controle sanitário estabelecidas pelo Programa Nacional de Prevenção ao Greening. Somente viveiros registrados e fiscalizados pelo MAPA podem produzir e vender mudas certificadas, garantindo que as plantas estejam livres de pragas e doenças.
A Operação Citrus reforça o papel de Sergipe no cenário da citricultura nordestina e a necessidade de intensificar a fiscalização e a conscientização entre os produtores. O estado é um dos polos de cultivo de laranja da região, e a presença de mudas clandestinas pode comprometer décadas de investimento e pesquisa no setor.



