
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 584 animais silvestres que eram transportados de forma irregular na carroceria de uma caminhonete abordada na BR-423, no município de Iati, no Agreste de Pernambuco. Um homem de 29 anos e uma mulher de 27 foram detidos durante a ação. Segundo a PRF, o motorista afirmou que os animais teriam sido adquiridos em Canindé de São Francisco, em Sergipe, e seriam levados para revenda em Caruaru, no interior pernambucano.
A ocorrência foi registrada durante uma fiscalização no quilômetro 140 da rodovia. Os agentes abordaram uma caminhonete que transportava engradados utilizados para acondicionar frutas. A carga, no entanto, levantou suspeitas durante a inspeção.
De acordo com as informações divulgadas pela PRF, os policiais perceberam a presença de alpiste e um forte cheiro de fezes de aves nas proximidades do veículo. A partir da verificação mais detalhada da carga, os agentes encontraram centenas de animais escondidos sob os engradados.
Ao todo, foram resgatadas 555 aves silvestres mantidas em gaiolas e outros recipientes, além de 29 jabutis que estavam acondicionados em uma caixa. Entre as aves identificadas durante a ocorrência estavam galos-de-campina, tico-ticos, azulões e papa-capins, além de outras espécies.
A quantidade de animais chamou a atenção das equipes envolvidas na fiscalização e transformou a abordagem em uma ocorrência de grande porte relacionada ao transporte irregular da fauna silvestre.
Segundo a PRF, o motorista declarou durante a abordagem que havia obtido os animais em Canindé de São Francisco. A informação será considerada dentro dos procedimentos de investigação relacionados à ocorrência, especialmente para esclarecer a origem dos animais e o possível caminho utilizado até Pernambuco.
A versão apresentada pelo motorista também indica que o destino da carga seria o município de Caruaru, onde, segundo o relato feito aos policiais, os animais seriam revendidos.
A PRF informou ainda que o homem abordado já havia sido detido anteriormente em outras quatro ocasiões envolvendo o transporte de animais silvestres. Essa informação também deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Os animais foram retirados da caminhonete e encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O órgão ficará responsável pelos cuidados necessários e pelos procedimentos relacionados à destinação dos animais, incluindo a possibilidade de devolução à natureza.
O homem e a mulher que estavam no veículo foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Garanhuns. Conforme as informações divulgadas sobre o caso, eles poderão responder por crimes relacionados ao tráfico de animais silvestres, receptação, maus-tratos e associação criminosa.
A definição das responsabilidades individuais e de eventuais crimes dependerá do andamento da investigação e dos procedimentos adotados pelas autoridades policiais e pela Justiça.
O caso chama atenção, principalmente, pela quantidade de animais transportados e pela ligação apontada pelo próprio motorista com o município sergipano de Canindé de São Francisco. Até o momento, com base nas informações divulgadas, a declaração sobre a origem dos animais foi atribuída ao condutor durante a abordagem da PRF.
A investigação deverá buscar esclarecer como os animais foram obtidos, quem participou do transporte e se há outras pessoas envolvidas na possível cadeia de captura, compra, transporte e comercialização.
Também será necessário verificar as condições em que os animais estavam sendo mantidos antes da abordagem. O transporte de centenas de aves e jabutis escondidos em um veículo, segundo as informações da ocorrência, exigiu a atuação de órgãos ambientais para garantir o encaminhamento adequado da fauna apreendida.
A operação reforça a atenção para crimes envolvendo animais silvestres e para o uso das rodovias como possíveis rotas de transporte irregular. Neste caso, a fiscalização ocorreu em Pernambuco, mas a declaração do motorista sobre Canindé de São Francisco coloca o município sergipano no centro das apurações relacionadas à origem da carga.
As autoridades não divulgaram os nomes dos dois detidos. O caso segue sob responsabilidade dos órgãos competentes, que deverão aprofundar a investigação para esclarecer a participação de cada pessoa e identificar possíveis outros envolvidos.



