Tem partido que parece uma casa. Tem partido que parece uma empresa. E tem partido que, dependendo da época, parece reunião de família no domingo.
No PL de Sergipe, a impressão é que o sobrenome continua tendo cadeira cativa.
E não é qualquer sobrenome. É Valadares.
Rodrigo Valadares assumiu a condução do projeto bolsonarista no estado com a missão de reunir a direita e disputar as eleições. Só esqueceram de avisar que juntar gente que pensa parecido costuma ser mais difícil do que parece.
Vieram as dificuldades para montar a chapa, os afastamentos e, mais recentemente, a saída da Pastora Salete da candidatura a vice-governadora.
Mas existe um detalhe importante: a fala de Rodrigo sobre as prioridades do PL veio antes da saída de Salete.
Durante a convenção, ele afirmou que a prioridade do partido seria sua candidatura ao Senado. Depois, Salete deixou a chapa e afirmou que não enxergava prioridade na candidatura ao Governo.
Não precisa de investigador particular. A sequência dos fatos já é suficiente para alimentar a conversa.
E política é assim. Às vezes não importa apenas o que foi dito. Importa também o que ficou depois.
Enquanto isso, Coronel Rocha, candidato ao Senado pelo mesmo partido, foi às redes sociais reclamar da estrutura de campanha e afirmou ter recebido apenas um pequeno adesivo.
Um adesivo.
Pequeno.
Em plena campanha.
É quase mandar o soldado para a guerra com uma colher e desejar boa sorte.
Depois vieram os números.
Os dados da prestação de contas mostram milhões de reais destinados a algumas candidaturas do PL, enquanto outras, até a atualização consultada, apareciam sem repasses partidários.
Rodrigo Valadares recebeu recursos. Sua esposa, Moana Valadares, também. Diná Almeida também aparece entre as contempladas.
Enquanto isso, Coronel Rocha e Ricardo Marques apareciam sem repasses na prestação consultada.
Isso, sozinho, não prova favorecimento. Existem critérios e estratégias eleitorais.
Mas existe algo que o dinheiro não consegue esconder: a impressão que ele deixa.
E quando alguns recebem milhões enquanto outros procuram até adesivo, surge uma pergunta bastante simples:
Será que todos estão realmente no mesmo projeto?
Porque ninguém gosta de ser escada.
A escada é muito útil, todo mundo precisa dela. Mas ninguém costuma convidá-la para a festa depois que chega ao andar de cima.
Talvez o PL ainda consiga reorganizar a casa. Talvez as diferenças sejam resolvidas.
Mas confiança política, quando quebra, até pode ser colada. Só que a rachadura continua aparecendo.
No fim, sobrenome pode abrir portas.
Mas eleição é feita de gente.
E quem pretende chegar ao topo precisa lembrar de uma coisa:
é bom ter uma escada. Melhor ainda é ter alguém disposto a segurá-la.



