Sergipe fica entre os cinco estados com pior desempenho em ranking de transparência pública

Estado aparece em 23º lugar entre 27 unidades avaliadas e recebe classificação “regular” em levantamento da Transparência Internacional – Brasil

Sergipe está entre os estados brasileiros com pior desempenho no Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) 2025, elaborado pela Transparência Internacional – Brasil. O estado recebeu 51,5 pontos de um total de 100, ficando na 23ª posição entre os 27 governos estaduais e o Distrito Federal avaliados. A classificação foi considerada “regular” pela organização.

O levantamento analisou 106 critérios, distribuídos em oito dimensões relacionadas à transparência, dados abertos, participação social, obras públicas, gestão, orçamento e mecanismos de prevenção e combate à corrupção.

Na classificação geral, Sergipe ficou à frente apenas de Piauí, Acre, Roraima e Amapá. No topo do ranking aparecem Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Ceará, Distrito Federal e Alagoas, todos classificados na faixa “ótimo”.

 Foto: Reprodução/Transparência Internacional

O que explica os 51,5 pontos de Sergipe?

A nota geral de 51,5 pontos é resultado da avaliação de oito dimensões. O desempenho do estado foi bastante desigual entre elas.

DimensãoNota de Sergipe
Plataformas84,8
Obras Públicas63,6
Administração e Governança57,1
Legal55,0
Transformação Digital50,0
Transparência Financeira e Orçamentária47,4
Participação40,0
Dados14,3

O melhor resultado de Sergipe foi registrado na dimensão Plataformas, com 84,8 pontos. Também houve desempenho acima de 60 pontos em Obras Públicas, com 63,6.

Na outra ponta, aparecem Participação, com 40 pontos, e principalmente Dados, com apenas 14,3 pontos.

Um dos principais problemas está na divulgação de dados

O resultado mais preocupante para Sergipe aparece na dimensão Dados, na qual o estado alcançou apenas 14 pontos, enquanto a média nacional foi de 70.

De acordo com a avaliação individual da Transparência Internacional, Sergipe atendeu apenas ao indicador relacionado ao fornecimento de Web Service/API. O estado não teria atendido aos critérios referentes à publicação de Planos de Dados Abertos vigentes, inventários e catálogos das bases disponíveis, além de recursos destinados a facilitar o uso desses dados pela população.

Na dimensão Transformação Digital e Comunicação, Sergipe também apresentou desempenho baixo, com 50 pontos, ficando entre os piores resultados do país nessa categoria.

Participação social também é um ponto de atenção

Outro problema apontado pela Transparência Internacional está relacionado à participação da sociedade na fiscalização e no acompanhamento da administração pública.

Segundo a avaliação específica de Sergipe, o estado não possui Conselho de Transparência e/ou de Combate à Corrupção ativo, nem Conselho de Usuários dos Serviços Públicos ativo.

O cenário estadual ocorre em um contexto nacional no qual a dimensão Participação apresentou a menor média entre as oito categorias analisadas, com 52 pontos. Apenas seis estados possuem conselhos de transparência e combate à corrupção ativos e com participação da sociedade, segundo o levantamento.

Transformação digital também apresenta desempenho baixo

Na dimensão Transformação Digital, Sergipe alcançou 50 pontos.

O resultado coloca o estado entre os desempenhos mais baixos nessa categoria. Enquanto a média nacional chegou a 83 pontos, Sergipe ficou 33 pontos abaixo desse resultado.

A dimensão avalia mecanismos relacionados à transformação digital e à comunicação dos governos com a sociedade.

Emendas parlamentares são outro gargalo

A pesquisa também revela problemas generalizados nos estados brasileiros em relação à transparência das emendas parlamentares.

Dos 27 governos avaliados, 23 não disponibilizam informações completas sobre emendas estaduais. Apenas Acre, Distrito Federal e Minas Gerais apresentaram informações consideradas completas nesse quesito.

No caso das emendas federais, 12 estados não divulgam informações completas e outros dois não disponibilizam qualquer tipo de informação. Já em relação às chamadas emendas Pix, 13 estados não divulgam os planos de trabalho referentes às transferências especiais federais recebidas, apesar da existência de obrigação legal.

Para a Transparência Internacional, a falta de informações dificulta tanto a fiscalização pela sociedade quanto a identificação de possíveis irregularidades.

Obras públicas também apresentam falhas

Outro ponto analisado pelo ITGP foi a transparência das obras públicas.

A média nacional nessa dimensão foi de 63 pontos. O levantamento aponta que apenas três estados disponibilizam informações completas sobre a execução física das obras, enquanto cinco apresentam dados completos sobre a execução financeira.

Entre os problemas identificados estão a ausência ou insuficiência de informações sobre localização das obras, percentual de execução, atrasos, paralisações e registros que permitam comprovar o andamento dos projetos.

Transparência ainda é um desafio

O levantamento mostra que Sergipe avançou em relação a 2022, mas ainda permanece na parte inferior do ranking nacional.

A distância em relação aos estados mais bem avaliados é significativa. Enquanto Sergipe alcançou 51,5 pontos, o Espírito Santo, primeiro colocado, chegou a 95 pontos, seguido por Goiás, com 93,4, e Minas Gerais, com 89,1.

Os números colocam em evidência um desafio que vai além da simples publicação de informações: é preciso garantir que os dados públicos sejam completos, acessíveis e úteis para que a população possa acompanhar como o dinheiro público é aplicado e participar das decisões do governo.

Para o cidadão, transparência significa mais do que ter um portal na internet. Significa conseguir saber quanto foi gasto, onde o dinheiro foi aplicado, quem recebeu os recursos, qual obra está sendo executada, quanto já foi realizado e quais resultados foram alcançados.

O ITGP mostra que Sergipe avançou, mas também deixa claro que ainda existe um longo caminho para que o estado alcance os níveis de transparência apresentados pelos líderes do ranking.

Sergipe avançou, mas continua entre os últimos

Apesar da posição desfavorável, o resultado representa uma melhora em relação à avaliação realizada em 2022. Na primeira edição do índice, Sergipe registrou 36,2 pontos. Em 2025, chegou a 51,5 pontos.

A Transparência Internacional destaca que a avaliação de 2025 ampliou o número de critérios analisados e passou a considerar 106 indicadores, contra 84 utilizados na edição anterior. Por isso, a organização considera a comparação entre os dois anos apenas parcial.

Entre os critérios que permaneceram iguais nas duas edições, a entidade identificou avanços em 30 indicadores no conjunto dos estados avaliados.

Fonte principal: Transparência Internacional – Brasil, Índice de Transparência e Governança Pública 2025, O globo.

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