
Bancários de todo o Brasil realizam nesta quinta-feira, 20, uma paralisação nacional de 24 horas. A mobilização envolve trabalhadores de bancos públicos e privados e pode provocar impactos no funcionamento e no atendimento de agências em diferentes regiões do país.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), o movimento faz parte da campanha de reivindicações da categoria e busca pressionar as instituições financeiras durante as negociações salariais. Entre os principais pontos defendidos pelos trabalhadores estão aumento real nos salários, valorização dos pisos, melhorias nos vales refeição e alimentação, participação nos lucros e resultados e a criação de um piso salarial específico para profissionais da área de tecnologia da informação.
A mobilização ocorre em meio às negociações entre representantes dos trabalhadores e o setor bancário. De acordo com a Contraf, até o momento as instituições financeiras não apresentaram uma proposta de índice de reajuste para a categoria. Uma nova reunião entre as partes está prevista para a próxima segunda-feira, dia 24.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, defendeu a mobilização como forma de aumentar a pressão durante a campanha.
“Não sairemos desta campanha sem a justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos bancos em 2025”, afirmou.
Para a dirigente sindical, a paralisação desta quinta-feira é importante para fortalecer a posição dos trabalhadores antes da próxima rodada de negociação com os representantes dos bancos.
Categoria cobra valorização e melhores condições
Além das discussões sobre salários, a campanha dos bancários reúne reivindicações relacionadas às condições de trabalho e à distribuição dos resultados obtidos pelo sistema financeiro.
Entre as demandas está a valorização dos pisos salariais da categoria e a manutenção ou ampliação de benefícios, como os vales refeição e alimentação. Os trabalhadores também defendem mudanças relacionadas à participação nos lucros e resultados, conhecida pela sigla PLR.
Outro ponto da pauta envolve os profissionais de tecnologia da informação que atuam no setor financeiro. A categoria reivindica a criação de um piso específico para esses trabalhadores, diante da crescente importância das atividades tecnológicas para o funcionamento dos bancos e dos serviços digitais.
A paralisação foi convocada em um cenário de expansão das plataformas digitais e de mudanças no atendimento bancário. Mesmo com o aumento dos serviços realizados por aplicativos e canais eletrônicos, a mobilização pode afetar o funcionamento presencial de agências e outros serviços que dependem diretamente dos trabalhadores.
Por isso, clientes que precisarem resolver demandas presenciais devem ficar atentos ao funcionamento das unidades bancárias durante o dia.
Lucros do setor estão no centro das reivindicações
A Contraf argumenta que os resultados financeiros do setor bancário reforçam a reivindicação por uma distribuição maior dos ganhos entre os trabalhadores.
Segundo os dados apresentados pela entidade, os bancos registraram lucro de R$ 171 bilhões em 2025. A organização também informa que o patrimônio líquido do setor bancário alcançou R$ 1,2 trilhão no mesmo período.
Ainda de acordo com a entidade sindical, o lucro anual por empregado no sistema bancário chegou a R$ 438 mil. Os números são utilizados pelos representantes dos trabalhadores como argumento nas negociações por reajustes e melhorias nos benefícios.
A discussão sobre a PLR também integra a pauta. A Contraf aponta uma redução na participação média dos trabalhadores dos bancos privados nos resultados das instituições ao longo das últimas décadas. Segundo a entidade, enquanto em 1995 esse percentual chegava a 14%, em 2025 a média ficou em 5,9%.
Os dados fazem parte da argumentação apresentada pelos sindicatos durante a campanha nacional dos bancários, que busca avanços nas condições econômicas e profissionais da categoria.
Próxima negociação será na segunda-feira
Após a mobilização nacional desta quinta-feira, representantes dos trabalhadores e das instituições financeiras têm uma nova reunião de negociação marcada para segunda-feira, 24.
A expectativa da categoria é que a paralisação fortaleça a pressão para que os bancos apresentem uma proposta considerada satisfatória pelos trabalhadores.
Até a divulgação das informações sobre a mobilização, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ainda não havia se manifestado sobre as reivindicações apresentadas pela categoria.
A paralisação tem duração prevista de 24 horas e a adesão pode variar entre cidades, estados e instituições financeiras. Dessa forma, o impacto no atendimento presencial pode ser diferente de uma região para outra.
Clientes devem priorizar, quando possível, os canais digitais disponibilizados pelas instituições financeiras, como aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos, enquanto durar a mobilização.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br



