Negociações com a SBM Offshore visam antecipar cronograma das duas novas unidades FPSO, previstas agora para 2029
A Petrobras está em negociações avançadas com a SBM Offshore para tentar reduzir custos e acelerar a entrega de duas Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSO) que serão instaladas em campos de petróleo e gás no Estado de Sergipe, no Nordeste do Brasil. A informação foi confirmada por Sylvia Anjos, gerente-executiva da companhia, durante a Offshore Technology Conference (OTC), realizada no Rio de Janeiro.

De acordo com Anjos, o objetivo é que as negociações permitam a entrega da primeira embarcação já em 2029. “A Petrobras espera reduzir custos e acelerar a entrega das duas unidades”, afirmou a executiva a jornalistas.
A SBM Offshore apresentou os preços mais competitivos no processo de licitação, embora ainda acima do valor inicialmente previsto pela estatal. Segundo Anjos, a construção das duas embarcações pela mesma empresa ajudaria na otimização do processo, com consequente redução de custos. “A construção das duas embarcações pela SBM ajudaria na otimização, reduzindo os custos”, completou.
Projeto estratégico para Sergipe
As duas unidades FPSO fazem parte do plano estratégico da Petrobras para o desenvolvimento de campos de petróleo e gás em águas profundas de Sergipe, uma das regiões mais promissoras do país para a produção offshore. A expectativa é que o projeto amplie a capacidade de produção nacional e contribua para o aumento da oferta de gás natural, reforçando o papel do Nordeste na matriz energética brasileira.
No entanto, o projeto tem enfrentado sucessivos adiamentos. Inicialmente, a Petrobras previa o início das operações das duas plataformas para 2028. Em seu novo plano estratégico, que abrange o período de 2025 a 2029, a estatal adiou o cronograma para pelo menos 2030. As atuais negociações com a SBM podem representar uma tentativa de reverter parte desse atraso.
A importância das FPSOs
As FPSOs são embarcações fundamentais para a exploração de petróleo em alto-mar, especialmente em campos localizados em grandes profundidades. Elas funcionam como verdadeiras plantas industriais flutuantes, capazes de produzir, armazenar e transferir petróleo e gás. A adoção dessa tecnologia tem sido um pilar da estratégia da Petrobras para manter sua liderança na exploração offshore, tanto no pré-sal quanto em novas fronteiras, como Sergipe.
Segundo especialistas do setor, os investimentos em FPSOs tendem a gerar um impacto positivo na economia local, com a criação de empregos diretos e indiretos e a movimentação de cadeias produtivas ligadas à indústria naval e de equipamentos.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo da estatal, a execução do projeto ainda depende da conclusão das negociações com a SBM e da aprovação de novas condições contratuais. A diferença entre os valores propostos pela empresa holandesa e o orçamento da Petrobras é um ponto sensível das tratativas.
Além disso, o cenário global de volatilidade nos preços do petróleo e a pressão por investimentos em fontes de energia mais limpas impõem desafios adicionais à estatal. Ainda assim, a Petrobras tem sinalizado que continua comprometida com a expansão de sua capacidade produtiva e com o desenvolvimento de novas fronteiras exploratórias.
Sylvia Anjos reforçou que a estatal busca “o equilíbrio entre eficiência e sustentabilidade”, destacando que as novas unidades devem incorporar tecnologias mais avançadas e padrões ambientais mais rígidos.
Próximos passos
Caso as negociações avancem conforme o esperado, a Petrobras pretende iniciar a construção das plataformas ainda nesta década, garantindo que pelo menos uma delas comece a operar em 2029. A outra embarcação teria início de operações logo em seguida, dentro da meta revisada pela companhia.
Os resultados concretos das tratativas com a SBM deverão ser incorporados à atualização do plano estratégico da Petrobras, prevista para o próximo ano. O avanço dessas negociações será determinante para o futuro da produção de petróleo em Sergipe e para o ritmo de expansão da companhia na região Nordeste.



