A foto que despertou o Palácio

Foto das Redes Sociais

Nos últimos dias, uma imagem chamou mais atenção do que qualquer discurso
político ou anúncio de obra pública: a foto da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa,
ladeada por figuras de peso da oposição durante a tradicional Festa dos
Caminhoneiros em Itabaiana. O evento, por si só, já é símbolo de força e mobilização
no interior sergipano. Mas o que realmente causou abalos na cena política foi o
simbolismo do clique: Emília cercada pelo ex-senador Eduardo Amorim, pelos
deputados Ícaro de Valmir, Marcos Oliveira, Georgeo Passos, Thiago de Joaldo e, claro,
o anfitrião, prefeito Valmir de Francisquinho.

Essa imagem tem algo que vai além do que está na moldura. É uma sinalização clara
de que a oposição – até então fragmentada – está se articulando, se costurando em
torno de uma possível unidade. E isso tem deixado o Palácio dos Despachos em alerta
máximo. Não à toa, o governador Fábio Mitidieri, visivelmente incomodado, foi à
imprensa dizer que “vai mexer no tabuleiro”. Mas que tabuleiro é esse? E por que uma
simples foto provoca tanta inquietação?
A resposta é simples e direta: Mitidieri é pré-candidato à reeleição. E todo governante
que busca um segundo mandato sabe que não pode contar com a vitória por W.O. A
democracia saudável exige confronto de ideias, contraponto, fiscalização e,
sobretudo, alternativa. Quando a oposição se une em torno de um projeto, o jogo
muda – e o favoritismo pode virar risco.

O governador, que ainda não enfrentou uma disputa majoritária real enquanto titular
do Executivo, parece ter sido pego de surpresa pela articulação silenciosa de seus
adversários. Afinal, uma imagem como aquela, num evento popular e tradicional, é
também uma mensagem visual ao eleitorado: “estamos juntos, estamos prontos”.
Ao declarar que vai “mexer no tabuleiro”, Fábio Mitidieri solta uma frase que, por ora,
mais confunde do que esclarece. Vai mexer como? Mudando secretariado? Chamando
aliados para conversas de bastidor? Trazendo o PT de volta ao centro do jogo? Ou foi
apenas um recado de alerta, típico de quem sentiu o golpe da foto e ainda busca
entender sua dimensão?

Uma coisa é certa: a oposição, com todos os seus nomes – Emília, Valmir, Amorim,
Ícaro, entre outros -, se movimenta. E movimento, na política, é sinal de vida. Se essa
aliança vai se consolidar em torno de um nome só, ainda é cedo para cravar. Mas a foto
em Itabaiana foi o primeiro passo para uma narrativa que começa a ganhar corpo: a de
que haverá sim disputa em 2026. E que o atual governador terá, pela frente, mais do
que um W.O. – terá uma campanha para valer.

E isso, convenhamos, é bom para Sergipe.

Texto escrito pelo Jornalista Higor Trindade, HT Notícias

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