Economia da Argentina cresce 1,9% em abril, mas mostra desaceleração frente a março

Setores de pesca, construção e energia puxam alta no ano; atividade encolhe 0,7% no comparativo mensal.

Imagem da Internet

A economia da Argentina registrou crescimento de 1,9% em abril de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos). O resultado reforça uma recuperação parcial da atividade econômica no país, que ainda enfrenta os reflexos de um cenário interno desafiador.

Apesar do desempenho positivo na comparação anual, o país sul-americano teve retração de 0,7% em relação a março, o que indica uma desaceleração pontual da economia no curto prazo. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, a atividade econômica avançou 1,3%.

Entre os setores que mais contribuíram para o crescimento em abril, destaque para a pesca, que disparou 48,1%, beneficiada por condições climáticas favoráveis e aumento nas exportações. A construção civil também teve desempenho expressivo, com alta de 10,2%, refletindo investimentos públicos e privados em obras de infraestrutura. Já o setor de eletricidade, gás e água cresceu 7,5%, impulsionado por maior demanda residencial e industrial.

Queda mensal aponta para instabilidade da recuperação

Embora o avanço de 1,9% em abril frente ao mesmo mês de 2024 seja um dado relevante, a queda de 0,7% na comparação com março acende um sinal de alerta sobre a consistência da recuperação econômica da Argentina.

A retração no mês aponta para uma possível oscilação da atividade produtiva, algo recorrente em economias que ainda buscam estabilidade após períodos de inflação elevada, ajustes fiscais e instabilidade cambial.

A desaceleração de abril também reflete, segundo analistas, os efeitos de medidas de contenção de gastos adotadas pelo governo para equilibrar as contas públicas, o que afeta diretamente o consumo e os investimentos privados em curto prazo.

Intermediação financeira registra maior retração entre os setores

O relatório do Indec aponta que 6 dos 15 setores analisados apresentaram queda em abril, com destaque para a Intermediação Financeira, que teve retração de 6,5% no comparativo anual. O desempenho negativo do setor financeiro está ligado à redução do crédito no país, aos juros reais elevados e ao menor dinamismo do mercado de capitais.

Outros segmentos com desempenho abaixo do esperado incluem o comércio e a indústria manufatureira, que ainda sofrem com custos elevados e incertezas regulatórias. A instabilidade na taxa de câmbio e a cautela dos consumidores também têm contribuído para um crescimento mais contido em setores dependentes da demanda interna.

Crescimento no quadrimestre mostra leve retomada

Mesmo com a retração de abril frente a março, o acumulado dos quatro primeiros meses de 2025 indica um crescimento de 1,3% na economia argentina. Embora modesto, o índice representa uma inflexão positiva em relação ao desempenho de 2024, quando a economia enfrentou sucessivas quedas trimestrais.

A leve retomada observada neste início de ano vem sendo sustentada por alguns fatores pontuais, como aumento nas exportações de commodities, recuperação de setores específicos (como construção e pesca) e melhora gradual dos índices de confiança de empresários.

Ainda assim, o cenário econômico argentino permanece frágil, com inflação anual ainda elevada, pressão sobre as contas públicas e desafios no setor externo. A manutenção do crescimento dependerá de fatores como controle inflacionário, estabilização do câmbio e melhora no ambiente de negócios.

Perspectivas para os próximos meses

Economistas consultados após a divulgação dos dados apontam que a economia argentina pode manter crescimento moderado ao longo de 2025, mas alertam para riscos que podem comprometer esse ritmo.

Entre os principais desafios estão a necessidade de ajuste fiscal, a renegociação da dívida com o FMI, a estabilidade cambial e o comportamento da inflação, que ainda pressiona o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

Apesar disso, alguns setores estratégicos podem continuar puxando a atividade. A construção civil, por exemplo, tem se beneficiado de programas de habitação e obras públicas. A pesca, por sua vez, deve seguir em alta enquanto durar a boa temporada de exportações.

A energia, com destaque para o gás e eletricidade, também tende a manter crescimento, especialmente diante de novos projetos de infraestrutura no setor.

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