Com crescimento acima da média, estado impulsiona expansão de consórcios como alternativa ao crédito tradicional; cooperativas como o Sicredi lideram avanço

Sergipe apresentou o segundo maior crescimento do Brasil no número de participantes de consórcios de motocicletas no primeiro trimestre de 2025. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o número de consorciados no estado saltou de 57.256 para 68.177 em comparação ao mesmo período do ano passado, um avanço de 19,1% — superior à média nacional.
A movimentação no setor de motocicletas acompanha uma tendência mais ampla no estado. O volume total de vendas em todas as modalidades de consórcio cresceu 32,8% em Sergipe, com 54.928 cotas comercializadas no período. O resultado posiciona o estado como a quinta maior alta nacional no segmento, em um momento em que o consórcio se consolida como alternativa ao financiamento bancário tradicional, especialmente diante das elevadas taxas de juros do mercado.
Consórcios crescem em meio a cenário de crédito mais caro
O aumento da taxa Selic nos últimos anos impactou diretamente o custo dos financiamentos tradicionais, levando muitos consumidores a buscar outras formas de acesso ao crédito. Nesse contexto, o consórcio tem se destacado por oferecer parcelas mais acessíveis e ausência de juros — embora haja incidência de taxas administrativas.
Em Sergipe, essa modalidade tem sido cada vez mais escolhida por consumidores que buscam comprar bens de maneira planejada, sem comprometer o orçamento familiar. O modelo também vem sendo adotado por quem deseja adquirir o primeiro bem, como uma moto ou um imóvel, com maior previsibilidade de custos.
“O aumento na procura por consórcios revela que mais pessoas estão encontrando nesse modelo uma alternativa viável para realizar sonhos de forma acessível e organizada”, avalia Gabriela Nóbrega, Analista de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi Nordeste. “Esse movimento aponta para um avanço importante na autonomia financeira da população, com o consórcio se consolidando como uma ferramenta de inclusão e fortalecimento econômico.”
Cooperativas financeiras ampliam participação
O crescimento do setor em Sergipe também está associado ao avanço das cooperativas financeiras no estado. O Sicredi, sétima maior administradora de consórcios do Brasil, tem observado um aumento significativo na adesão de novos cotistas. Na modalidade de imóveis, o volume de créditos comercializados pela instituição saltou de R$ 25,4 milhões em março de 2024 para R$ 38,4 milhões no mesmo mês deste ano — um salto de 51%.
Embora o consórcio não tenha juros como um financiamento bancário, há a cobrança de uma taxa de administração. No Sicredi, essa taxa é de 12,6% para consórcios imobiliários, abaixo da média de mercado, que gira em torno de 20,26%, segundo dados da própria cooperativa. Essa diferença tem atraído muitos consumidores que buscam menor custo total na aquisição de bens.
“A política de taxas mais justas, aliada à segurança da cooperativa e ao acompanhamento próximo dos associados, tem sido decisiva para o crescimento do nosso portfólio de consórcios”, explica Gabriela. Ela também aponta que há campanhas periódicas com descontos nas taxas de administração, o que amplia o acesso ao modelo.
Nordeste segue tendência de alta
O desempenho registrado em Sergipe reflete uma tendência mais ampla no Nordeste. Segundo a Central Sicredi Nordeste, o volume da carteira total de consórcios administrados pela cooperativa nos nove estados da região cresceu 61,8% no primeiro trimestre de 2025, alcançando R$ 1,79 bilhão.
Esse crescimento é resultado de um conjunto de fatores: além das taxas de juros elevadas no sistema financeiro tradicional, o consórcio tem sido impulsionado por uma maior conscientização financeira da população, que busca alternativas mais sustentáveis para conquistar seus objetivos.
“O consórcio se destaca como uma alternativa viável e inteligente, e temos buscado oferecer soluções que ampliem o acesso da população a esse modelo de aquisição”, reforça Gabriela Nóbrega.
Perfil dos consorciados está mudando
Outro ponto que chama a atenção é o perfil dos consorciados. Segundo a ABAC, o público está cada vez mais jovem e diversificado. Em estados como Sergipe, observa-se um aumento significativo de trabalhadores informais, pequenos empreendedores e jovens adultos entre os novos participantes. A compra de motos para deslocamento e trabalho tem sido um dos principais atrativos.
A motocicleta, por sua versatilidade e custo acessível, se tornou um bem de primeira necessidade para muitos brasileiros. O consórcio surge como um caminho para viabilizar esse tipo de aquisição sem recorrer ao financiamento com juros elevados.
Perspectivas para o setor
A expectativa do mercado é que o número de consorciados continue em alta ao longo de 2025, especialmente se as taxas de juros bancárias se mantiverem em patamar elevado. Com a popularização do modelo, novas administradoras devem surgir e cooperativas tendem a ampliar ainda mais sua presença nas regiões Norte e Nordeste.
“Temos um público mais consciente e planejado, que valoriza o custo-benefício e quer fugir do endividamento. O consórcio casa perfeitamente com esse perfil”, conclui Gabriela Nóbrega.
A continuidade do crescimento dependerá, entretanto, da manutenção de condições atrativas e de ações que promovam a educação financeira da população, para que mais brasileiros possam acessar esse tipo de solução com segurança e planejamento.



