Economistas avaliam que a desaceleração pode abrir espaço para cortes de juros pelo Banco Central ainda este ano
Sinais de alerta na economia brasileira
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2025 trouxe preocupação ao mercado financeiro e levantou o risco de o Brasil entrar em recessão técnica ainda este ano. O termo é usado para descrever quando a economia registra variação negativa por dois trimestres consecutivos.
Embora a recessão técnica não represente necessariamente queda no desempenho anual, os dados indicam que a economia brasileira pode enfrentar desafios mais significativos em 2026.
“Vemos uma recessão técnica no segundo trimestre, ou seja, uma variação negativa do PIB nos próximos dois trimestres. Ainda assim, a economia brasileira cresceria mais de 2% no ano”, avaliou André Valério, economista sênior do Banco Inter, em entrevista ao programa VEJA Mercado.

Possíveis impactos na política monetária
O cenário de desaceleração econômica reacendeu o debate sobre os rumos da política de juros no Brasil. Segundo Valério, o resultado do PIB é mais um elemento que deve influenciar a decisão do Banco Central sobre o início de um ciclo de cortes na taxa Selic.
“A desaceleração na atividade econômica abre caminho para o Banco Central flexibilizar a política monetária do Brasil. Na minha visão, o início do ciclo de cortes de juros deveria começar em dezembro”, afirmou o economista.
Influência do cenário internacional
Além dos fatores internos, o movimento da economia global também deve pesar nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) pode iniciar a redução de juros já em setembro, o que abriria espaço para países emergentes, como o Brasil, seguirem o mesmo caminho.
“A probabilidade maior de o Banco Central americano cortar os juros em setembro é outro fator que também cria condições para o Brasil seguir o mesmo caminho a partir de dezembro”, destacou Valério.
Crescimento ainda projetado em 2025
Apesar da possibilidade de recessão técnica no curto prazo, o Banco Inter projeta que o Brasil deve encerrar 2025 com crescimento superior a 2%. Para os analistas, o desafio maior será sustentar esse desempenho em 2026, quando os efeitos da desaceleração podem se tornar mais evidentes.



