
O episódio recente da falta d’água em Sergipe escancarou um problema tão grave quanto a crise hídrica em si: a blindagem política e midiática em torno do governador. Defender demais um gestor não é apenas perigoso, é um desserviço à população. E aqui em Sergipe, já virou até padrão: sempre que acontece algo negativo contra o governo, logo aparece uma pesquisa eleitoral para “melhorar o clima” e tentar apagar o estrago.
Mas a realidade não se apaga com propaganda. 900 mil sergipanos ficaram sem água. Não estamos falando de luxo, mas de necessidade básica. Água é vida, é saúde, é dignidade. E diante de um colapso desse tamanho, o que se esperava era transparência, cobrança e solução imediata. O que vimos, no entanto, foi silêncio conveniente e tentativas de suavizar um erro grotesco.
Não adianta querer tirar o corpo fora dizendo que a culpa não é do governador. Como diz o ditado popular: se ganhou a eleição, tem que resolver o problema. Essa lógica também vale para Fábio Mitidieri. Ele pediu a confiança da população, ganhou, e agora a responsabilidade é dele.
O governador precisa encarar a realidade: resolver de vez esse problema e apresentar um relatório técnico sobre a infraestrutura. Mais que isso, precisa criar um plano sério para que um episódio como esse nunca mais se repita.
A população sergipana não pode ser refém de apagões administrativos. Chega de pão e circo, chega de propaganda bonita escondendo falhas graves. O povo quer o básico: água na torneira e responsabilidade de quem governa.
O conteúdo acima representa exclusivamente a visão do autor. Aqui no Sergipe de Fato, nosso compromisso é oferecer espaço para diferentes perspectivas, mesmo quando não refletem a nossa posição editorial.



