
Medicamento passa a ser autorizado para pacientes a partir dos 10 anos e pode ajudar no controle da glicemia em jovens com a doença
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos de idade. A decisão representa um avanço importante no tratamento da doença entre os jovens, grupo que vem registrando aumento expressivo de casos nos últimos anos.
Com a autorização, a tirzepatida se torna o primeiro medicamento da classe dos agonistas duplos dos receptores GIP e GLP-1 liberado no Brasil para uso pediátrico no tratamento do diabetes tipo 2. Até então, o medicamento era autorizado apenas para adultos.
A decisão foi publicada pela Anvisa após análise de estudos clínicos que demonstraram segurança e eficácia do tratamento nessa faixa etária.
O que é o Mounjaro?
Produzido pela farmacêutica Eli Lilly, o Mounjaro utiliza a tirzepatida como princípio ativo.
O medicamento atua em dois hormônios produzidos naturalmente pelo organismo: o GIP (Polipeptídeo Inibidor Gástrico) e o GLP-1 (Peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Esses hormônios ajudam a regular a glicose no sangue, estimular a produção de insulina e reduzir a resistência insulínica.
Na prática, o tratamento auxilia no controle dos níveis de açúcar no sangue e pode contribuir para a melhora metabólica dos pacientes.
Crescimento do diabetes entre adolescentes preocupa especialistas
O diabetes tipo 2 era considerado, até poucos anos atrás, uma doença predominantemente associada à população adulta. No entanto, o crescimento da obesidade infantil e do sedentarismo vem mudando esse cenário.
Estudos apontam que o Brasil está entre os países com maior número de adolescentes diagnosticados com diabetes tipo 2. Estimativas indicam que mais de 200 mil jovens brasileiros convivem atualmente com a doença, além de um número ainda maior de casos de pré-diabetes.
Especialistas alertam que o diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes costuma evoluir de forma mais rápida do que em adultos, aumentando o risco de complicações cardiovasculares, renais e metabólicas ainda na juventude.
Resultados de estudos clínicos
A aprovação da Anvisa foi baseada em pesquisas que avaliaram adolescentes entre 10 e 17 anos com diabetes tipo 2.
Os estudos mostraram melhora significativa do controle glicêmico, redução da hemoglobina glicada (HbA1c) e benefícios relacionados ao peso corporal em parte dos pacientes acompanhados.
Pesquisadores observaram que os participantes tratados com tirzepatida apresentaram melhor resposta terapêutica quando comparados aos grupos que receberam placebo.
Não é autorização para emagrecimento
Apesar de o medicamento ser amplamente conhecido por seus efeitos relacionados à perda de peso em adultos, a autorização concedida pela Anvisa para adolescentes se refere exclusivamente ao tratamento do diabetes tipo 2.
Especialistas ressaltam que não existe aprovação específica para uso da tirzepatida como medicamento para emagrecimento em crianças e adolescentes no Brasil. O uso deve ocorrer somente sob prescrição e acompanhamento médico especializado.
Possíveis efeitos colaterais
Assim como ocorre em adultos, os efeitos adversos mais frequentes observados nos adolescentes são:
• Náuseas;
• Diarreia;
• Vômitos;
• Dor abdominal;
• Redução do apetite.
Também existe a necessidade de monitoramento médico para evitar episódios de hipoglicemia, especialmente quando o medicamento é associado a outras terapias para diabetes.
Tratamento continua exigindo mudanças de hábitos
Médicos destacam que o uso do Mounjaro não substitui hábitos saudáveis.
O tratamento do diabetes tipo 2 continua baseado em três pilares fundamentais:
✅ Alimentação equilibrada;
✅ Prática regular de atividades físicas;
✅ Acompanhamento médico e multiprofissional.
A tirzepatida surge como uma ferramenta adicional para auxiliar pacientes que apresentam dificuldades no controle da doença apenas com dieta, exercícios e medicamentos tradicionais.
Avanço para a endocrinologia pediátrica
A aprovação é vista por especialistas como um marco para a endocrinologia pediátrica brasileira.
Até recentemente, as opções de tratamento para diabetes tipo 2 em adolescentes eram limitadas principalmente à metformina e à insulina. A chegada da tirzepatida amplia o arsenal terapêutico disponível e pode contribuir para melhores resultados clínicos a longo prazo.



