
O Banco de Brasília (BRB) negocia a venda de uma carteira de empréstimos concedidos a estados e municípios para os bancos Itaú e Bradesco, em uma operação avaliada em aproximadamente R$ 940 milhões. A movimentação ocorre em meio ao esforço da instituição estatal para recompor capital e reduzir os impactos financeiros gerados por operações envolvendo o Banco Master, cuja tentativa de aquisição foi vetada pelo Banco Central.
A informação foi revelada em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 21 de janeiro de 2026. Segundo a apuração, as negociações estão em estágio avançado e envolvem três contratos que somam cerca de R$ 900 milhões em créditos considerados de baixo risco.
Os empréstimos foram concedidos aos governos dos estados de Pernambuco e Pará, além da Prefeitura de Maceió, todos com garantia da União. Na prática, isso significa que, em caso de inadimplência, o Tesouro Nacional assume o pagamento, o que torna a carteira atrativa para instituições privadas.
Intervenção do Banco Central e busca por liquidez
Ainda de acordo com a reportagem, o Banco Central solicitou, em dezembro de 2025, que grandes bancos privados apresentassem uma solução de mercado para o BRB. A iniciativa ocorreu após a autoridade monetária identificar a necessidade de liquidez imediata da instituição, agravada por prejuízos associados à compra de ativos considerados de alto risco durante as tratativas com o Banco Master.
A operação com o Master acabou barrada pelo próprio BC e, posteriormente, passou a ser investigada pela Polícia Federal, sob suspeita de irregularidades e possível fraude. Desde então, o BRB tem buscado alternativas para fortalecer sua posição financeira e atender às exigências regulatórias.
Autorização do Tesouro é etapa decisiva
Apesar do interesse de Itaú e Bradesco — que devem dividir a carteira em partes iguais — a concretização da venda depende de autorização formal do Tesouro Nacional. Isso ocorre porque a União figura como avalista dos contratos, e qualquer cessão de crédito exige anuência do garantidor.
O modelo de cessão, embora comum no mercado financeiro, ganha atenção especial pelo contexto envolvendo o BRB e pela dimensão da carteira negociada.
BRB avalia outras medidas financeiras
Em nota enviada ao Estadão, o BRB afirmou que a cessão de carteiras faz parte da gestão ordinária de ativos e tem como objetivo otimizar capital e reforçar a liquidez. A instituição também confirmou que analisa outras alternativas, como a venda de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e até um possível aporte financeiro por parte do Governo do Distrito Federal.
“Todas as medidas em avaliação integram a gestão responsável do BRB, alinhada às normas do Banco Central e às melhores práticas de mercado”, afirmou o banco.
A venda da carteira, caso seja concluída, representa um passo decisivo para estabilizar as finanças do BRB e reduzir os efeitos da crise provocada pelas operações malsucedidas com o Banco Master.



