O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou para esta quarta-feira (17) uma reunião do colégio de líderes com o objetivo de discutir a votação de urgência do projeto de lei que trata da anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Caso a urgência seja aprovada, o projeto poderá ser levado diretamente ao Plenário, sem necessidade de tramitar pelas comissões, embora ainda não haja relator designado nem texto final divulgado. Segundo Motta, a reunião vai “deliberar sobre a urgência dos projetos que tratam do acontecido em 8 de janeiro de 2023”.

Polarização no Congresso
A proposta reacendeu a polarização política em Brasília. A oposição, liderada pelo Partido Liberal (PL), intensificou a defesa da anistia após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
O PL defende que a medida seja ampla e alcance todos os envolvidos nos atos que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Para os oposicionistas, as decisões da Suprema Corte configurariam “perseguição política”.
Em contraponto, partidos da base governista classificam a proposta como inconstitucional, argumentando que a anistia abriria um precedente perigoso de impunidade para crimes contra a democracia.
“Golpe contra a democracia não se perdoa: quem planejou deve responder perante a Constituição e a Justiça”, afirmou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ).
Defesas e resistências
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, sustenta que a anistia pode ser um caminho para reduzir tensões no país:
“A anistia não ignora os erros. Ela os reconhece e, ainda assim, opta por reconciliar. Abre a porta para o perdão, a estabilidade institucional e a pacificação nacional.”
Apesar do apoio dentro da oposição, o tema divide até mesmo partidos independentes. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já se manifestou contra uma anistia ampla e defende um texto alternativo, mais restritivo.
O líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), também declarou apoio à anistia, mas com ressalvas: não aceita que sejam perdoados crimes ligados a tentativas de assassinato contra o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O que esperar
Se o projeto de lei for aprovado nas duas Casas do Congresso, é quase certo que enfrentará um veto presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou publicamente que é contra qualquer forma de anistia aos responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro.
Com isso, a reunião desta quarta deve apenas marcar o início de uma batalha política que deve se intensificar nas próximas semanas, com repercussões tanto no Legislativo quanto no Judiciário.



