Crise da Casas Bahia chega a Sergipe com fechamento de quatro lojas e recuperação judicial

Foto: O Globo

Unidades em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Lagarto deixaram de funcionar em meio à reestruturação financeira da empresa, que busca reorganizar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões

A crise financeira enfrentada pelo grupo Casas Bahia já tem reflexos diretos em Sergipe. Quatro lojas da empresa encerraram as atividades no estado em meio ao processo de reestruturação da companhia, que também entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. As unidades fechadas ficam nos shoppings Jardins e RioMar, em Aracaju, no Shopping Prêmio, em Nossa Senhora do Socorro, e no município de Lagarto.

O pedido de recuperação judicial foi apresentado na noite do domingo, 16 de agosto, com o objetivo de reorganizar as finanças da companhia e negociar um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões. A medida representa mais um capítulo da crise que vem atingindo o grupo nos últimos anos e que já resultou no fechamento de centenas de lojas e na redução do quadro de funcionários em diferentes regiões do país.

Em Sergipe, os efeitos foram percebidos principalmente entre os trabalhadores das unidades que deixaram de funcionar. Em Nossa Senhora do Socorro, por exemplo, o encerramento da loja ocorreu na sexta-feira, 14, e provocou surpresa entre funcionários e clientes.

Quatro lojas deixaram de funcionar em Sergipe

As quatro unidades atingidas pela redução da operação estão distribuídas entre Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Lagarto.

Na capital sergipana, as lojas localizadas nos shoppings Jardins e RioMar encerraram suas atividades. Em Nossa Senhora do Socorro, a unidade instalada no Shopping Prêmio também foi fechada.

Já em Lagarto, a loja da Casas Bahia localizada na Rua Doutor Laudelino Freire amanheceu fechada na sexta-feira, 14. Um aviso colocado no estabelecimento informou os clientes sobre o encerramento e orientou que os atendimentos fossem realizados em unidades de Aracaju.

O fechamento da unidade de Lagarto ocorreu praticamente no mesmo período em que a companhia promoveu uma ampla redução de sua rede em todo o país.

Segundo informações divulgadas pelo portal Lagarto Como Eu Vejo, a loja do município deixou de funcionar na sexta-feira, 14. A publicação também destacou que, até aquele momento, não havia confirmação pública da empresa de que a unidade de Lagarto estivesse especificamente incluída na lista nacional das 298 lojas fechadas.

Ainda assim, o encerramento ocorreu dentro do mesmo movimento de redução da estrutura física da companhia.

Empresa fechou 298 lojas em 2026

A redução da rede não se limita a Sergipe. Segundo as informações apresentadas no material de referência, 298 lojas foram fechadas pela Casas Bahia em diferentes regiões do Brasil somente em 2026.

O número representa uma redução significativa da estrutura física da companhia, que possuía pouco mais de mil unidades. O processo também provocou milhares de desligamentos.

As informações apontam que aproximadamente 600 funcionários foram demitidos na quinta-feira, 13, enquanto outros desligamentos ocorreram ou estavam previstos para a sexta-feira, 14.

Uma estimativa citada no levantamento indica que a redução do quadro de funcionários poderia alcançar aproximadamente 3 mil trabalhadores.

O movimento chama atenção porque ocorre em um momento em que a empresa tenta reduzir despesas, reorganizar sua operação e encontrar alternativas para enfrentar o endividamento.

Recuperação judicial tenta reorganizar as dívidas

O pedido de recuperação judicial apresentado pela Casas Bahia busca criar condições para que a empresa possa reorganizar suas obrigações financeiras enquanto mantém suas atividades.

Na prática, o mecanismo permite que uma empresa em dificuldades financeiras apresente um plano para negociar suas dívidas com credores, buscando evitar a interrupção das atividades e, em determinados casos, preservar empregos e operações.

No caso da Casas Bahia, o passivo estimado chega a R$ 17,3 bilhões.

A recuperação judicial não significa, necessariamente, o encerramento da empresa. O objetivo é justamente permitir uma reorganização financeira para que a companhia possa continuar funcionando e negociar suas obrigações.

A situação, porém, evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelo grupo.

Crise vem sendo enfrentada desde 2023

A redução das lojas faz parte de um processo de reestruturação que vem sendo desenvolvido pela companhia desde 2023.

Nos últimos anos, o grupo adotou uma série de medidas para diminuir despesas e tentar melhorar sua situação financeira.

Entre os fatores apontados estão o impacto dos juros elevados, a queda na procura por determinados bens duráveis, o aumento da inadimplência e as transformações provocadas pelo crescimento do comércio digital.

O cenário também afeta o modelo tradicional de grandes redes varejistas, que durante décadas tiveram nas lojas físicas uma de suas principais formas de relacionamento com os consumidores.

A necessidade de competir com empresas digitais, marketplaces e outras plataformas de comércio eletrônico mudou o comportamento dos consumidores e aumentou a pressão sobre os custos das grandes redes.

Nesse ambiente, manter uma extensa estrutura de lojas físicas passou a representar um desafio ainda maior.

Fechamento preocupa trabalhadores

Além do impacto econômico para os municípios, o fechamento das unidades também levanta preocupação em relação aos trabalhadores.

Em Nossa Senhora do Socorro, o Sindicato dos Comerciários marcou uma reunião com representantes da empresa para buscar informações sobre o encerramento da unidade e acompanhar a situação dos funcionários afetados.

A preocupação ocorre porque o fechamento de uma loja não representa apenas a perda de um ponto comercial. Existe também o impacto sobre empregos diretos e indiretos, além da movimentação econômica gerada pela presença da empresa.

Para cidades que possuem grandes redes varejistas instaladas em áreas comerciais estratégicas, a saída de uma loja pode representar redução no fluxo de consumidores e mudanças na dinâmica do comércio local.

No caso de Lagarto, o fechamento também chamou atenção pelo fato de a unidade estar localizada em uma área tradicionalmente movimentada do município.

Resultado financeiro aumenta pressão sobre a companhia

A crise também aparece nos resultados financeiros apresentados pela empresa.

De acordo com as informações divulgadas no material de referência, a Casas Bahia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre de 2026.

Em 2025, o prejuízo líquido acumulado teria ficado próximo de R$ 3 bilhões.

Os números ajudam a dimensionar o cenário enfrentado pela companhia e ajudam a explicar a adoção de medidas mais duras de redução de custos e de estrutura.

A recuperação judicial surge, portanto, em um contexto de prejuízos, endividamento elevado, fechamento de lojas e redução do quadro de funcionários.

Casas Bahia ainda mantém grande operação no país

Apesar da redução significativa da rede, a Casas Bahia ainda possui uma estrutura de grande porte no mercado brasileiro.

Segundo as informações fornecidas pela empresa, são mais de 20 mil funcionários e mais de 700 lojas físicas em funcionamento no país.

Isso significa que, mesmo com o fechamento de centenas de unidades, a companhia continua tendo uma presença relevante no comércio brasileiro.

O desafio agora será equilibrar essa estrutura com a necessidade de reduzir despesas e reorganizar as dívidas.

A recuperação judicial deverá abrir uma nova etapa nesse processo, com negociações entre a empresa e seus credores.

O que acontece agora

Com o pedido apresentado à Justiça, a companhia passa a buscar a reorganização de suas obrigações financeiras dentro do processo de recuperação judicial.

A empresa deverá apresentar medidas para enfrentar o endividamento e continuar suas atividades.

Para os funcionários das lojas fechadas, porém, os efeitos da crise já são concretos.

Em Sergipe, quatro municípios ou centros comerciais já sentiram o impacto da redução da operação. Aracaju perdeu duas unidades, enquanto Nossa Senhora do Socorro e Lagarto tiveram uma loja encerrada cada.

O caso de Lagarto ainda possui uma particularidade: embora o fechamento tenha ocorrido no mesmo período da grande redução nacional da rede, não havia, até a divulgação das informações utilizadas nesta matéria, confirmação pública da empresa de que a unidade estivesse formalmente incluída na lista das 298 lojas contabilizadas no corte nacional.

A confirmação oficial sobre a situação específica da unidade permanece importante para esclarecer os impactos da reestruturação no município.

Crise ultrapassa as vitrines

O caso das Casas Bahia mostra como uma crise financeira empresarial pode chegar rapidamente à economia local.

O fechamento de uma loja representa muito mais do que uma porta que deixa de abrir. Envolve trabalhadores, fornecedores, consumidores, circulação de dinheiro e ocupação de espaços comerciais.

Em Sergipe, o processo já deixou marcas em três cidades, com quatro unidades encerradas.

Agora, com a recuperação judicial, a Casas Bahia entra em uma fase decisiva para tentar reorganizar suas finanças e preservar sua operação.

O resultado dessa reestruturação deverá definir não apenas o futuro de centenas de lojas no país, mas também o destino de milhares de empregos e a presença da marca em diferentes cidades brasileiras.

Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *