Facção criminosa paulista é alvo de operação em Sergipe e advogado é preso como articulador do grupo

Quatro pessoas foram presas em ação do MPSE; operação investiga crimes como tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro

Uma operação realizada na última sexta-feira, 1º de agosto, resultou na prisão de quatro pessoas em Sergipe, suspeitas de integrar uma facção criminosa de origem paulista com atuação interestadual. A ação é um desdobramento da Operação Gravatas, conduzida pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE), em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A informação foi divulgada nesta segunda-feira (4).

Entre os presos está um advogado, apontado como elo jurídico e articulador interno da facção. De acordo com o MPSE, ele é suspeito de envolvimento direto em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Para garantir a legalidade do procedimento, a prisão foi acompanhada por um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

SSP/SE

Mandados cumpridos em três municípios

Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos nas cidades de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros. Um dos investigados segue foragido. Todos os presos foram apresentados à audiência de custódia no sábado, 2 de agosto, e tiveram as prisões mantidas pelo Poder Judiciário após manifestação favorável do Ministério Público.

A operação é resultado de um trabalho de inteligência iniciado em 2021, quando o MPSE recebeu, por meio de cooperação institucional, provas compartilhadas pelo MPSP. A primeira fase da Operação Gravatas foi deflagrada em 2024, com cumprimento de mandados de busca e apreensão nos estados de Sergipe e Alagoas.

Estrutura criminosa baseada em núcleos familiares

Segundo o MPSE, a facção criminosa investigada mantém uma estrutura bem organizada, com divisão de funções entre seus membros. O grupo utiliza núcleos familiares como base para a execução de diversas atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, homicídios, ocultação de patrimônio e lavagem de capitais.

“O que se observa é uma atuação articulada e meticulosa, que aproveita laços familiares para dar suporte logístico e financeiro às ações criminosas. Essa é uma característica típica das facções que buscam se estabelecer fora de seus estados de origem”, afirmou um promotor envolvido na investigação.

Duplo homicídio é atribuído à facção

Um dos crimes mais graves atribuídos ao grupo é o assassinato de uma mulher e seu filho, ocorrido em 2024, logo após eles deixarem uma audiência no Fórum de Nossa Senhora do Socorro. De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado por uma retaliação interna ligada a disputas pelo controle do tráfico.

A vítima e seu filho foram surpreendidos por atiradores que os aguardavam do lado de fora do prédio do Judiciário. O caso gerou forte comoção na comunidade local e reforçou a suspeita sobre a presença da facção no estado.

Atuação interestadual e articulação jurídica

A presença de um advogado entre os investigados chama atenção para o grau de sofisticação da organização criminosa. O profissional seria responsável por fazer a ponte entre os integrantes presos e os que estão em liberdade, além de fornecer suporte jurídico para operações de lavagem de dinheiro.

“O advogado investigado utilizava seu conhecimento jurídico para dificultar o rastreamento das atividades financeiras da facção, além de orientar os membros do grupo sobre como agir em caso de investigações ou prisões. Sua atuação era estratégica para a continuidade das ações criminosas”, destacou o MPSE.

Cooperação entre ministérios públicos estaduais

A Operação Gravatas simboliza o fortalecimento da cooperação entre órgãos de investigação em diferentes estados. A partir de provas coletadas pelo MPSP, o MPSE conseguiu aprofundar o mapeamento da atuação da facção no território sergipano, ampliando o alcance da investigação.

A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas nos próximos meses, com o objetivo de desarticular completamente a estrutura local da facção.

“O trabalho integrado entre os ministérios públicos permite uma atuação mais eficiente e articulada no combate ao crime organizado. Estamos avançando para responsabilizar todos os envolvidos”, concluiu o promotor responsável pelo caso.

Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *