FGC deve desembolsar R$ 51,8 bilhões após liquidação do Master, Will Bank e Banco Pleno

Valor representa 32% do patrimônio do Fundo Garantidor de Créditos e mobiliza plano emergencial dos bancos

Foto Divulgação da Internet

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 51,8 bilhões para ressarcir clientes e investidores afetados pela liquidação extrajudicial do Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno.

Segundo fontes do setor financeiro, o montante equivale a aproximadamente 32% do patrimônio total do FGC e corresponde a quase metade dos lucros combinados dos maiores bancos brasileiros em 2025. Atualmente, o fundo possui patrimônio acumulado de R$ 160 bilhões, sendo R$ 121,1 bilhões em recursos líquidos disponíveis em caixa, que serão utilizados para cobrir os pagamentos.

Quanto cada banco deve receber

No caso do Banco Master, o próprio FGC estima desembolso de R$ 40,6 bilhões em garantias. Para o Will Bank, cuja lista final de credores ainda está em consolidação, a previsão é de R$ 6,3 bilhões. Já em relação ao Banco Pleno, o valor a ser honrado deve chegar a R$ 4,9 bilhões.

Diante do impacto financeiro, o conselho do FGC aprovou, na última semana, um plano emergencial de recomposição do fundo. A estratégia prevê que os bancos associados antecipem o equivalente a cinco anos de contribuições futuras, reforçando imediatamente o caixa da entidade.

Como funciona a garantia do FGC

O FGC atua como uma espécie de seguro privado do sistema bancário. Ele garante valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, para aplicações como:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDB)
  • Letras de Câmbio (LC)
  • Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
  • Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
  • Depósitos em poupança

Apesar da garantia, o pagamento não é automático. Após a decretação da liquidação, a empresa responsável elabora a lista oficial de credores com valores cobertos pelo fundo. Esse processo leva, em média, cerca de 30 dias. Somente após essa etapa o FGC abre o sistema para que investidores solicitem o ressarcimento.

Clientes com valores superiores ao limite garantido passam a integrar a lista de credores da massa liquidada e dependem do andamento do processo judicial para eventual recuperação do excedente.

Entidade privada

O Fundo Garantidor de Créditos não possui vínculo com o Governo Federal. Trata-se de uma entidade privada e sem fins lucrativos, mantida pelas próprias instituições financeiras brasileiras. Sua função é preservar a confiança no sistema bancário e evitar efeitos sistêmicos em casos de insolvência.

O desembolso bilionário reacende o debate sobre gestão de risco e supervisão no sistema financeiro, mas, até o momento, o mercado não registra sinais de contágio sistêmico.

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