Governo mantém subsídio de R$ 0,44 na gasolina após alta do petróleo

Escalada dos preços provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã levou o governo a manter, temporariamente, o subsídio de R$ 0,44 por litro

O Governo Federal decidiu manter, por enquanto, o desconto de R$ 0,44 por litro da gasolina, diante da recente valorização do petróleo no mercado internacional. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, busca evitar que o aumento do preço do barril seja repassado imediatamente aos consumidores brasileiros.

A decisão ocorre após uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltaram a protagonizar confrontos militares na última semana. O cenário fez com que o barril de petróleo alcançasse a marca de aproximadamente US$ 80, elevando a preocupação do governo com possíveis impactos na inflação e no custo de vida da população.

Decisão será reavaliada

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a equipe econômica voltou a analisar o cenário internacional antes de definir o futuro do benefício.

Segundo ele, a retirada do subsídio, inicialmente prevista para esta semana, foi adiada e deverá ser discutida novamente nos próximos dias.

“Ontem, o preço do barril do petróleo voltou a subir para US$ 80, então, temos que ter cautela para retirar o subsídio”, afirmou o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.

De acordo com Durigan, o governo poderá optar pela retirada total ou parcial do benefício, dependendo da evolução dos preços internacionais do petróleo.

Objetivo é reduzir impactos para o consumidor

A manutenção temporária do desconto busca impedir que a alta do petróleo provoque aumento imediato no preço da gasolina, o que poderia refletir também no custo do transporte, dos alimentos e de diversos produtos e serviços.

Como os combustíveis influenciam diretamente a cadeia logística do país, reajustes costumam ter impacto significativo sobre a inflação.

Mistura de etanol e biodiesel será mantida

Apesar da instabilidade no mercado internacional, o governo garantiu que o cronograma de ampliação da participação dos biocombustíveis permanece inalterado.

A medida segue o que determina a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que prevê o aumento gradual da mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel.

Pelas regras atuais, a gasolina C poderá conter entre 27% e 35% de etanol, enquanto a participação do biodiesel no diesel deverá chegar a 20% até março de 2030.

Durigan afirmou que o cenário internacional reforça a importância da política de incentivo aos biocombustíveis como forma de reduzir a dependência do petróleo.

Mercado segue em atenção

Especialistas acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, já que novas oscilações no preço do petróleo poderão influenciar a decisão do governo sobre a manutenção do desconto nas próximas semanas.

Enquanto isso, o benefício continua em vigor, amenizando os impactos da alta internacional sobre o preço da gasolina no Brasil.

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