Taxa básica permanece no maior nível em quase 20 anos; presidente defende redução para estimular crescimento econômico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a política monetária nesta sexta-feira (3), após o Banco Central manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A última vez que o índice esteve próximo desse nível foi em julho de 2006, quando chegou a 15,25%.

Em entrevista concedida à TV Liberal, no Pará, Lula classificou os juros atuais como um obstáculo para o desenvolvimento do país. “É um problema. O Brasil não pode crescer com esse nível de juros. É preciso estimular a economia, investir e gerar emprego”, afirmou o presidente.
Contexto da decisão
A decisão do Banco Central foi anunciada na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e surpreendeu parte do mercado, que esperava pelo menos uma sinalização de redução gradual da Selic ainda este ano.
A manutenção da taxa no maior patamar desde meados dos anos 2000 tem como justificativa principal a necessidade de controle da inflação e da estabilidade cambial. No entanto, o custo elevado do crédito tem impactado diretamente empresas, consumidores e o investimento produtivo.
Críticas recorrentes
Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem feito críticas frequentes ao Banco Central, presidido por Roberto Campos Neto. O petista sustenta que o nível atual de juros freia a recuperação da economia brasileira e penaliza setores que dependem de crédito, como construção civil, indústria e comércio.
“Não se justifica um país com inflação sob controle manter juros tão altos. Isso trava o investimento e prejudica quem quer empreender”, disse o presidente em outras ocasiões recentes.
Debate econômico
Economistas e analistas divergem sobre o tema. Enquanto parte defende a cautela do Banco Central diante das incertezas fiscais e globais, outros apontam que os juros elevados estão asfixiando a atividade econômica e poderiam ser reduzidos de forma gradual sem comprometer a estabilidade.
O impasse entre governo e autoridade monetária deve permanecer como um dos principais pontos de tensão no cenário econômico brasileiro nos próximos meses.



