
A transferência de indústrias brasileiras para o Paraguai tem acendido um sinal de alerta sobre os impactos negativos para a economia nacional. Mais de 200 empresas já atravessaram a Ponte da Amizade e instalaram operações no país vizinho, atraídas por incentivos fiscais agressivos e custos operacionais muito inferiores aos praticados no Brasil. O movimento, impulsionado principalmente pela Lei de Maquila, vem resultando em perda de arrecadação, redução de investimentos produtivos e esvaziamento de postos de trabalho em território brasileiro.
Enquanto o Paraguai acelera seu processo de industrialização, o Brasil enfrenta os efeitos colaterais da chamada “exportação de fábricas”. A saída dessas empresas significa menos impostos recolhidos, menor circulação de renda nas cidades industriais e enfraquecimento de cadeias produtivas locais, especialmente em regiões de fronteira e polos tradicionais da indústria de transformação.
O principal atrativo para a migração é a diferença tributária. No Brasil, a carga sobre a importação de insumos e a produção industrial pode chegar a 35%, além de custos elevados com encargos trabalhistas, burocracia e obrigações acessórias. Já no Paraguai, empresas enquadradas na Lei de Maquila importam máquinas e matérias-primas com isenção total de impostos e pagam apenas um tributo único de 1% sobre o valor do produto exportado. O resultado é uma redução de até 40% nos custos operacionais, segundo relatos do próprio setor empresarial.
Essa disparidade tem impacto direto sobre a competitividade da indústria nacional. Produtos que antes eram fabricados no Brasil passam a ser produzidos no exterior e retornam ao mercado brasileiro com preços mais baixos, pressionando empresas que permanecem no país e aprofundando o processo de desindustrialização. Além disso, a facilidade de reentrada desses produtos no Brasil, beneficiados por acordos do Mercosul e certificados de origem, amplia a concorrência sobre o parque industrial brasileiro.
Outro efeito preocupante é a perda de empregos. Embora muitas empresas mantenham escritórios comerciais no Brasil, a transferência das linhas de produção reduz a oferta de vagas industriais, tradicionalmente associadas a salários mais altos e maior estabilidade. Especialistas apontam que esse movimento compromete a capacidade do país de gerar empregos de maior valor agregado e limita o crescimento econômico no médio e longo prazo.
Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que, sem uma revisão estrutural do chamado “Custo Brasil”, a tendência é de continuidade desse êxodo industrial. A elevada carga tributária, a complexidade do sistema fiscal e a burocracia excessiva são apontadas como fatores que colocam o Brasil em desvantagem frente a países vizinhos. Para muitos empresários, a decisão de migrar parte da produção é vista como irreversível.
O avanço do modelo paraguaio, ao mesmo tempo em que fortalece a economia do país vizinho, evidencia os desafios do Brasil em manter sua base industrial. A saída de fábricas não representa apenas uma decisão empresarial isolada, mas um fenômeno com reflexos diretos sobre arrecadação, emprego e desenvolvimento econômico nacional.



