
O cantor baiano Netinho, um dos nomes marcantes do axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. Conhecido nacionalmente pelo sucesso “Milla”, o artista estava internado desde o fim de setembro no Hospital Aliança Star, após a volta de um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Segundo comunicado divulgado por sua equipe, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A morte encerra a trajetória de um artista que ajudou a popularizar o axé music no Brasil, especialmente durante os anos 1990, quando suas músicas passaram a fazer parte do repertório do Carnaval, das micaretas e das festas populares em diferentes regiões do país.
Cantor enfrentava o câncer desde 2025
Netinho revelou o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B em 2025, depois de apresentar problemas de saúde que exigiram internação. O tratamento incluiu sessões de quimioterapia, e o próprio cantor compartilhou nas redes sociais informações sobre as etapas enfrentadas durante o período.
Após uma fase de melhora, a doença voltou a se manifestar em 2026. Com a recidiva, o artista retomou o tratamento e precisou se afastar novamente dos compromissos profissionais.
Netinho estava internado desde 30 de setembro, em Salvador. Conforme a nota divulgada pela assessoria, o quadro clínico se agravou até evoluir para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A equipe do cantor também informou que o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, conforme desejo expresso pelo artista, com a presença de familiares e amigos próximos. A assessoria pediu respeito à privacidade da família neste momento de luto.
A trajetória de um dos nomes do axé
Batizado como Ernesto de Souza Andrade Júnior, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde desenvolveu sua ligação com a música e iniciou a trajetória que o levaria aos principais palcos do país.
O interesse musical surgiu na adolescência. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão e começou a se aproximar cada vez mais das apresentações. Mesmo quando ingressou no curso de Engenharia Civil, manteve a música como parte importante de sua rotina.
A carreira profissional ganhou projeção em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Com o grupo, alcançou sucesso nacional com “Beijo na Boca”, canção que ajudou a consolidar seu nome no cenário musical baiano.
O desempenho abriu caminho para outras músicas populares, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”. Com carisma e presença de palco, Netinho tornou-se uma das figuras associadas à expansão do axé music para além da Bahia.
‘Milla’ marcou gerações
O maior sucesso da carreira de Netinho foi “Milla”, lançada em 1996, já durante sua trajetória solo. A música rapidamente ganhou popularidade e se tornou um dos grandes símbolos do axé music, permanecendo associada ao Carnaval e às festas brasileiras.
A canção ajudou a ampliar o alcance nacional do cantor e também levou seu trabalho a públicos de outros países. Ao longo da carreira, Netinho realizou apresentações no exterior, incluindo passagens pela Itália e pelo Chile.
Além de “Milla”, músicas como “Menina”, “Preciso de Você” e “Beijo na Boca” permaneceram entre as mais lembradas de seu repertório. O conjunto dessas canções ajudou a construir uma identidade musical ligada à energia dos trios elétricos, à dança e à celebração.
O sucesso de Netinho também acompanhou um período de grande expansão do axé music, quando artistas baianos passaram a ocupar espaço constante nas rádios, nos programas de televisão e nos grandes eventos populares brasileiros.
Atuação além dos palcos
A relação de Netinho com a música não se limitou às apresentações. O cantor também investiu no mercado fonográfico, com iniciativas ligadas à produção, gravação e mixagem musical.
Entre os projetos de sua trajetória esteve a criação de um estúdio no Rio de Janeiro, que recebeu artistas brasileiros e internacionais. Ele também desenvolveu um selo voltado ao lançamento de novos nomes da música baiana.
Essas iniciativas mostraram uma atuação que ultrapassava a interpretação de sucessos e incluía a participação em diferentes etapas da produção musical.
Problemas de saúde marcaram sua trajetória
Em 2013, Netinho enfrentou uma grave crise de saúde após ser internado em Salvador. O cantor sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e passou por procedimentos cirúrgicos, além de um longo período de recuperação.
As complicações o afastaram dos palcos por anos e afetaram sua rotina profissional. A recuperação exigiu acompanhamento médico e reabilitação, até que o artista voltasse gradualmente às apresentações.
Em dezembro de 2017, ele retomou a exposição na televisão e voltou a investir na carreira musical. Nos anos seguintes, continuou a se apresentar e a manter contato com os fãs, até que o diagnóstico de câncer, em 2025, interrompeu novamente a agenda.
Mesmo durante o tratamento, Netinho compartilhou parte da experiência nas redes sociais, recebendo manifestações de apoio de admiradores e pessoas ligadas à música.
Vida pessoal e família
Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Dessa relação nasceu sua filha, Bruna Trindade, com quem manteve uma relação próxima.
Ao longo da carreira, o cantor também esteve no centro de debates públicos relacionados a declarações pessoais e posicionamentos políticos. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito.
Esses episódios fizeram parte de sua vida pública, mas sua trajetória artística permaneceu especialmente associada ao axé music e ao sucesso alcançado a partir do final dos anos 1980 e durante a década de 1990.
Despedida de um nome do axé music
A morte de Netinho representa uma perda para a música popular brasileira e para o cenário musical baiano. Com sua voz e seu estilo de apresentação, o cantor ajudou a levar o axé music a diferentes públicos e deixou canções que continuam ligadas à memória afetiva de várias gerações.
O sucesso de “Milla” tornou-se o principal marco de sua carreira, mas sua contribuição também passa pela trajetória com a Banda Beijo, pelas apresentações em trios elétricos e pela participação no crescimento de um gênero que ganhou projeção nacional.
Netinho deixa uma filha e uma história marcada por grandes sucessos, períodos de recuperação e uma longa relação com o público. Sua música permanece como parte do repertório que ajudou a definir uma época do Carnaval brasileiro.



