Movimentos políticos em Aracaju tentam afastar Edvaldo Nogueira da disputa ao Senado em 2026

CPIs e possível pedido de inelegibilidade se somam à pressão de adversários para enfraquecer o ex-prefeito

A cena política de Aracaju ganhou novos capítulos nesta semana com a intensificação das articulações contra o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), que pretende disputar uma vaga no Senado em 2026. Lideranças da capital sergipana, entre elas aliados da prefeita Emília Corrêa (PL) e do ex-deputado federal André Moura (UB), atuam para fragilizar politicamente o pedetista e até cogitam pedir sua inelegibilidade.

O líder do governo municipal na Câmara, vereador Isac Silveira (UB), aliado de André Moura, declarou publicamente que pretende buscar a inelegibilidade de Edvaldo com base em suas contas relativas ao exercício de 2024, que ainda serão analisadas e podem ser reprovadas. “Se houver irregularidades, não podemos permitir que ele dispute novamente um cargo público”, afirmou Isac.

Reprodução das Redes Sociais

Duas CPIs no radar

Paralelamente, dois processos de investigação ganharam força na Câmara Municipal de Aracaju. A primeira é a CPI das Multas, de autoria de Isac Silveira, que vai apurar a destinação dos recursos arrecadados pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) com multas de trânsito entre 2017 e 2024 — período em que Edvaldo estava à frente da Prefeitura. O montante investigado chega a R$ 135.216.467,35.

A segunda é a CPI do Natal Iluminado, proposta de forma coletiva e assinada por 20 vereadores. O objetivo é investigar o uso de aproximadamente R$ 10 milhões da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) no evento Natal Iluminado 2024, realizado sem licitação e com custo mais que triplicado em relação ao ano anterior.

Estratégia de desgaste político

Nos bastidores, aliados de Edvaldo interpretam os movimentos como parte de uma ofensiva coordenada para minar suas chances na disputa eleitoral. Essa estratégia envolveria nomes como André Moura, seu provável suplente Ricardo Vasconcelos (PSD), e apoiadores da prefeita Emília Corrêa. A meta seria criar um desgaste suficiente para convencê-lo a desistir da candidatura ao Senado.

Para analistas políticos locais, a ofensiva tem efeito duplo: além de reduzir a força de Edvaldo no cenário estadual, também abre espaço para que outros nomes se consolidem na corrida por uma das vagas sergipanas no Senado, num contexto em que a eleição promete ser acirrada.

Edvaldo mantém posição

Apesar das investidas, Edvaldo Nogueira segue determinado a disputar o Senado. O ex-prefeito avalia que uma eventual candidatura à Câmara Federal poderia ser politicamente mais arriscada, já que a derrota teria peso maior em sua trajetória. Aliados próximos afirmam que ele enxerga a disputa para o Senado como a melhor forma de manter relevância no cenário político, além de contar com apoio em parte do interior e da capital.

Com a instalação das CPIs prevista para esta terça-feira (12), a expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por intensos embates políticos e jurídicos. A depender do desenrolar das investigações e do julgamento das contas de 2024, o caminho de Edvaldo até as urnas pode se tornar ainda mais desafiador.

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