
As manifestações mais recentes mostraram que o bolsonarismo ainda tem força para levar multidões às ruas de maneira espontânea. Nenhum outro movimento político do país consegue repetir isso. No entanto, surge uma questão importante: como essa mobilização será utilizada politicamente?
Se for apenas um instrumento eleitoral, acaba se transformando em politicagem, já que seria um erro reduzir o sentimento genuíno das pessoas ao objetivo de conquistar votos. O verdadeiro desafio está em transformar essa energia em influência concreta sobre os parlamentares e no avanço de pautas que interessem à sociedade, como a anistia — principal bandeira do movimento no momento.
Há também um dado da realidade que precisa ser encarado: Bolsonaro tem 70 anos, enfrenta problemas de saúde desde a facada que sofreu e está sob forte pressão judicial. As chances de condenação são consideráveis e, caso isso se confirme, ele pode se tornar apenas um ativo político, limitado no papel de liderança.
Nesse cenário, o bolsonarismo precisa refletir com seriedade: qual será o caminho se Bolsonaro não estiver em condições de disputar? Manter apenas atos de rua sem clareza de estratégia pode esvaziar o movimento. O futuro do bolsonarismo dependerá da capacidade de transformar mobilização popular em ação política consistente.
O que você acabou de ler é uma opinião do autor do texto — e não necessariamente reflete a visão do Sergipe de Fato. Nosso papel é abrir espaço para diferentes vozes e pontos de vista, sempre com respeito à pluralidade de ideias.



