Primatas ameaçados são monitorados em Itaporanga d’Ajuda por pesquisadores do Brasil e Espanha

Pesquisadores desenvolvem estudo em Itaporanga d’Ajuda para identificar caminhos usados pelos animais e orientar a criação de passagens de fauna e corredores ecológicos

Uma parceria científica entre Brasil e Espanha está fortalecendo as ações de conservação da Mata Atlântica em Sergipe. Pesquisadores espanhóis e brasileiros realizam atividades de campo na região do povoado Tejupeba, em Itaporanga d’Ajuda, para monitorar a movimentação de primatas entre fragmentos florestais e identificar os principais caminhos utilizados pelos animais.

O estudo tem como base o Instituto Santuário da Mata e conta com pesquisadores da Universidade de Valência, na Espanha, e apoio do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

A pesquisa busca produzir informações que possam ajudar na implantação de passagens de fauna e na criação de corredores ecológicos, estratégias consideradas importantes para reduzir os impactos provocados pela fragmentação da Mata Atlântica.

Estudo acompanha deslocamento dos animais

A fragmentação da floresta é um dos principais desafios para a sobrevivência da fauna. Quando grandes áreas de vegetação são divididas em pequenos fragmentos por estradas, propriedades rurais ou outras ocupações, os animais podem encontrar dificuldades para circular em busca de alimento, abrigo e parceiros para reprodução.

Por isso, os pesquisadores estão acompanhando os deslocamentos dos primatas para descobrir quais pontos são mais utilizados nas travessias entre os fragmentos.

A partir desses dados, será possível indicar áreas que apresentam potencial para receber estruturas destinadas a facilitar a passagem dos animais e diminuir os riscos durante os deslocamentos.

As informações também poderão subsidiar projetos de corredores ecológicos, conectando áreas de vegetação que atualmente estão isoladas.

Região abriga espécies ameaçadas

A área pesquisada, no sul de Sergipe, possui importantes remanescentes de Mata Atlântica e abriga espécies ameaçadas.

Entre elas está o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), classificado como Criticamente em Perigo. Também está presente o guigó-de-Coimbra-Filho (Callicebus coimbrai), considerado Em Perigo.

A região ainda possui populações do sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus).

A presença desses animais reforça a importância do monitoramento e da preservação dos fragmentos florestais.

Cooperação internacional

Participam do estudo os pesquisadores espanhóis Amaia Fernández e Eduardo García, que desenvolvem pesquisas de mestrado em Conservação da Biodiversidade na Universidade de Valência.

No Brasil, a iniciativa conta com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da UFS, coordenado pelo professor Dr. Edilson Divino de Araújo. As atividades em Sergipe são orientadas pelos pesquisadores Dr. Francis Luiz Santos Caldas e Dr. Hamilton Ferreira Barreto.

Segundo Tito Garcez, fundador do Instituto Santuário da Mata, a cooperação internacional pode ampliar a capacidade de pesquisa e transformar os resultados em ações práticas.

“A cooperação com pesquisadores internacionais é extremamente importante porque nos ajuda a gerar conhecimento científico e também a conquistar mais apoio para avançar nas ações de conservação de que a Mata Atlântica sergipana tanto precisa.”

A parceria surgiu após uma missão técnica realizada neste ano pelo Instituto Santuário da Mata na Espanha e na Alemanha. Os contatos estabelecidos durante a viagem abriram espaço para o desenvolvimento da pesquisa em Sergipe.

Pesquisa também considera as comunidades

Durante o trabalho de campo, os pesquisadores espanhóis observaram a proximidade entre os animais e áreas utilizadas pelas comunidades locais.

“Durante as atividades de campo, tivemos um contato muito direto com a fauna e pudemos observar como os animais utilizam áreas muito próximas de espaços frequentados e modificados pelos seres humanos”, relataram Amaia Fernández e Eduardo García.

Para os pesquisadores, a conservação precisa considerar também a realidade das pessoas que vivem na região.

A expectativa é que os resultados ajudem a encontrar um equilíbrio entre a proteção da biodiversidade e as atividades das comunidades locais.

“Esperamos que os resultados deste trabalho contribuam para encontrar um equilíbrio entre as comunidades locais e a biodiversidade da região”, afirmaram.

A iniciativa reforça a importância da ciência e da cooperação entre instituições para proteger os remanescentes de Mata Atlântica em Sergipe. A identificação dos caminhos utilizados pelos primatas poderá contribuir para futuras ações de conservação, incluindo passagens de fauna, corredores ecológicos e outras medidas destinadas à proteção das espécies ameaçadas.

Fonte: Instituto Santuário da Mata.

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