
Queda de 0,2% interrompe sequência positiva da indústria, mas setor ainda acumula crescimento de 1,4% em 2026
A produção industrial brasileira registrou queda de 0,2% em maio de 2026, na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
Apesar do recuo no mês, o desempenho da indústria segue positivo no acumulado do ano. Entre janeiro e maio, o setor cresceu 1,4%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses registra alta de 0,4%. Na comparação com maio de 2025, a produção industrial avançou 0,2%.
Segundo o IBGE, o resultado negativo de maio foi influenciado principalmente pela queda na produção de derivados de petróleo, biocombustíveis e da indústria extrativa.
Principais indicadores da indústria
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Maio 2026 x Abril 2026 | -0,2% |
| Maio 2026 x Maio 2025 | +0,2% |
| Acumulado de janeiro a maio | +1,4% |
| Acumulado dos últimos 12 meses | +0,4% |
| Média móvel trimestral | +0,3% |
Petróleo e mineração puxaram a queda
Na passagem de abril para maio, apenas oito dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção, mas alguns segmentos tiveram forte impacto sobre o índice geral.
O principal recuo ocorreu no setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que caiu 6,1%. Em seguida aparecem:
| Setores com maior queda | Variação |
| Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis | -6,1% |
| Indústrias extrativas | -2,6% |
| Produtos têxteis | -4,0% |
| Impressão e reprodução de gravações | -8,1% |
| Equipamentos de informática e eletrônicos | -2,0% |
| Produtos alimentícios | -1,3% |
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo semi e não duráveis (-1,3%), os bens intermediários (-0,4%) e os bens de capital (-0,2%) também registraram retração.
Setor farmacêutico lidera crescimento
Apesar do desempenho negativo da indústria no mês, diversos segmentos apresentaram crescimento expressivo.
O destaque ficou para os produtos farmoquímicos e farmacêuticos, cuja produção aumentou 13,1% em relação a abril.
Também avançaram:
| Setores com maior crescimento | Variação |
| Produtos farmoquímicos e farmacêuticos | +13,1% |
| Confecção de vestuário | +4,7% |
| Outros equipamentos de transporte | +4,7% |
| Veículos automotores | +4,1% |
| Produtos químicos | +3,1% |
| Máquinas e materiais elétricos | +2,6% |
| Metalurgia | +2,3% |
| Máquinas e equipamentos | +1,2% |
Comparação com maio de 2025
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a indústria praticamente ficou estável, registrando crescimento de 0,2%.
Os principais destaques positivos foram:
- Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (+5,7%);
- Indústrias extrativas (+3,1%);
- Veículos automotores (+7,3%);
- Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,2%).
Já entre os segmentos que mais recuaram frente a maio de 2025 estão:
- Máquinas e equipamentos (-9,5%);
- Equipamentos de informática (-8,7%);
- Calçados (-7,1%);
- Produtos têxteis (-5,6%);
- Vestuário (-4,3%);
- Produtos de metal (-4,0%);
- Alimentos (-3,7%).
Bens de consumo duráveis se recuperam
Entre as quatro grandes categorias econômicas, apenas bens de consumo duráveis apresentaram crescimento na comparação mensal.
| Grandes categorias econômicas | Maio x Abril |
| Bens de consumo duráveis | +3,6% |
| Bens de capital | -0,2% |
| Bens intermediários | -0,4% |
| Bens de consumo semi e não duráveis | -1,3% |
Segundo o IBGE, o avanço foi impulsionado principalmente pela maior fabricação de automóveis, motocicletas e eletrodomésticos.
Já os bens de capital, que representam máquinas e equipamentos utilizados na produção, continuam sendo o segmento mais fraco da indústria, acumulando retração de 6,2% em 2026.
Média móvel segue positiva
Mesmo com a queda registrada em maio, a média móvel trimestral da indústria cresceu 0,3%, indicando que o setor ainda mantém uma trajetória de recuperação ao longo do primeiro semestre.
Economistas avaliam que o desempenho da indústria nos próximos meses dependerá da evolução dos juros, do consumo das famílias, da oferta de crédito e do cenário econômico internacional.



