Psicólogos defendem valorização profissional e melhores condições de trabalho em audiência na Alese

Foto: Ascom/Alese

Debate promovido pela Assembleia Legislativa de Sergipe reuniu representantes da categoria, estudantes e parlamentares para discutir jornada de trabalho, piso salarial e fortalecimento das políticas públicas de saúde mental.

A valorização dos profissionais da psicologia, a melhoria das condições de trabalho e o fortalecimento da rede de atenção à saúde mental estiveram no centro das discussões de uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (15), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). O encontro foi promovido pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e reuniu representantes da categoria, estudantes, gestores e parlamentares para debater desafios enfrentados pelos profissionais e propor avanços para o setor.

A iniciativa foi proposta pela deputada estadual Linda Brasil (Psol), após diálogo com o Conselho Regional de Psicologia de Sergipe (CRP19/SE), que apresentou preocupações relacionadas à precarização das condições de trabalho enfrentadas pelos psicólogos no estado.

Durante a audiência, a parlamentar destacou que a valorização da categoria não beneficia apenas os profissionais, mas também a população que depende dos serviços psicológicos.

“A melhoria das condições de trabalho reflete diretamente na qualidade do atendimento prestado à sociedade. É fundamental construir caminhos que fortaleçam a atuação desses profissionais e garantam melhores serviços para quem precisa de apoio em saúde mental”, ressaltou.

Crescimento da demanda por saúde mental

O debate ocorre em um momento em que a procura por atendimento psicológico tem aumentado significativamente em todo o país. Questões relacionadas à ansiedade, depressão, estresse e outros transtornos emocionais passaram a ocupar espaço crescente nas políticas públicas, especialmente após os impactos causados pela pandemia.

Nesse contexto, participantes da audiência alertaram para a necessidade de ampliar investimentos na área e garantir que os profissionais tenham condições adequadas para exercer suas atividades.

A deputada Linda Brasil também chamou atenção para a forte presença feminina na profissão.

Segundo ela, é necessário discutir mecanismos de valorização para as mulheres que atuam na psicologia, reconhecendo sua contribuição para o fortalecimento da assistência em saúde mental em Sergipe.

Concursos públicos entram na pauta

Outro ponto amplamente debatido foi a necessidade de realização de concursos públicos para ampliar o quadro de psicólogos em órgãos estaduais e municipais.

O deputado Georgeo Passos (Republicanos) defendeu a ampliação do número de profissionais efetivos em áreas estratégicas, como saúde, educação e assistência social.

Segundo ele, a ausência de servidores suficientes acaba comprometendo a continuidade dos serviços e aumentando o tempo de espera da população por atendimento psicológico.

“A saúde mental precisa ser tratada como prioridade permanente. É necessário fortalecer as equipes e garantir que os cidadãos tenham acesso adequado aos serviços especializados”, afirmou.

Categoria aponta sobrecarga e desvalorização

Representantes da categoria destacaram que a realidade dos profissionais ainda é marcada por jornadas extensas, remuneração considerada insuficiente e ausência de políticas voltadas ao cuidado da saúde mental dos próprios trabalhadores.

A presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de Sergipe (Sinpsi/SE), Diana Santos Vieira Alves, afirmou que a categoria enfrenta desafios históricos relacionados à valorização profissional.

Ela ressaltou que muitos psicólogos atuam acima da carga horária considerada ideal, o que pode gerar impactos negativos tanto na vida pessoal quanto no desempenho profissional.

De acordo com dados apresentados durante a audiência, uma parcela significativa dos profissionais trabalha mais de 30 horas semanais, cenário que contribui para o aumento do desgaste físico e emocional.

Precarização afeta atendimento à população

A estudante de psicologia Astrid Leite de Freitas destacou que a precarização das condições de trabalho não afeta apenas os profissionais, mas também interfere diretamente na qualidade dos serviços oferecidos à população.

Segundo ela, o excesso de demandas, a sobrecarga de funções e a pressão constante provocada pelo ambiente de trabalho podem levar ao adoecimento dos profissionais.

A estudante também chamou atenção para o chamado “tecnoestresse”, fenômeno relacionado ao uso excessivo de tecnologias e ferramentas digitais, que tem se tornado cada vez mais comum em diferentes áreas profissionais.

“Garantir boas condições de trabalho para os psicólogos significa também garantir um atendimento mais qualificado para quem procura apoio psicológico”, observou.

Estrutura dos Caps também é debatida

A psicóloga Camila Meirelles, que atua em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), destacou a importância de ampliar investimentos em infraestrutura e recursos para os serviços públicos de saúde mental.

Ela ressaltou que os Caps desempenham papel essencial no acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico e que a demanda pelos serviços aumentou nos últimos anos.

Entre as necessidades apontadas estão melhorias nos espaços físicos, aquisição de materiais para oficinas terapêuticas e criação de ambientes que garantam privacidade e qualidade no atendimento.

Além disso, Camila defendeu avanços nas discussões sobre remuneração e carga horária dos profissionais que atuam na rede pública.

Conselho reforça luta por direitos

A presidente do Conselho Regional de Psicologia de Sergipe (CRP19/SE), Sara Santos Silva, afirmou que a valorização da categoria está diretamente ligada à qualidade dos serviços prestados à população.

Ela destacou que o conselho acompanha pautas consideradas prioritárias para os profissionais, como a implantação da jornada de 30 horas semanais, a criação de um piso salarial nacional e o fortalecimento da presença dos psicólogos em diferentes áreas de atuação.

Segundo Sara, o crescente debate sobre saúde mental no Brasil reforça a necessidade de ampliar o reconhecimento da profissão e assegurar melhores condições de trabalho.

Saúde mental como política pública

Ao longo da audiência, participantes defenderam a ampliação de políticas públicas voltadas à saúde mental e o fortalecimento das redes de atendimento em Sergipe.

Também foi ressaltada a importância da união entre poder público, entidades representativas, profissionais e instituições de ensino para construir soluções que contribuam para a valorização da psicologia e a melhoria dos serviços oferecidos à população.

O encontro reuniu representantes de conselhos profissionais, sindicatos, estudantes, servidores e parlamentares, reforçando o papel do diálogo na formulação de propostas voltadas ao fortalecimento da categoria.

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