
O Governo de Sergipe firmou, entre 2024 e 2025, oito contratos que somam mais de R$ 70 milhões com a G3 Empreendimento, empresa controlada por Fernanda Fontes Santana, filha do ex-deputado estadual Manuel Marcos (PSD), ligado à base do governador Fábio Mitidieri (PSD). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e parte dos contratos pode ser confirmada em bases oficiais.
Um dos contratos que mais chama atenção foi firmado em abril de 2024 pela Casa Civil. A contratação, de aproximadamente R$ 5,3 milhões, ocorreu em caráter emergencial e sem licitação. Já em 2025, a G3 venceu o Pregão Eletrônico nº 105/2025, com valor de R$ 54.026.359,20. O processo foi homologado em 21 de maio daquele ano e prevê serviços terceirizados, conservação e limpeza por até 60 meses.
Outros contratos
A empresa também aparece em contratos com diferentes órgãos estaduais. Na Desenvolve-SE, por exemplo, há registro de contrato e posteriormente de aditivo para a Ata de Registro de Preços nº 01/2025. O aditivo, firmado em março de 2026, prorrogou a vigência por mais 12 meses e repactuou valores de mão de obra.
O Portal da Transparência do Estado também registra pagamentos à G3. Em abril de 2026, por exemplo, consta uma liquidação de R$ 803.304,82 em favor da empresa, vinculada à Fundação Renascer.
Segundo o levantamento publicado pela Folha, os oito contratos envolvem diferentes órgãos da administração estadual e fazem o total ultrapassar R$ 70 milhões.
Relação política
O caso ganhou repercussão pela ligação familiar entre a controladora da empresa e Manuel Marcos, que exercia mandato de deputado estadual no período da primeira contratação de maior valor.
Na época, a Casa Civil era comandada por Jorginho Araújo (PSD), que havia se licenciado do mandato de deputado para assumir a secretaria. Manuel Marcos ocupou a cadeira deixada por ele na Assembleia Legislativa.
Manuel Marcos negou participação nas contratações e afirmou não ter proximidade política com Jorginho Araújo. Segundo ele, o então secretário é amigo do marido de sua filha, Fernanda Fontes.
Governo e empresa negam irregularidades
O Governo de Sergipe afirmou que as contratações seguiram os procedimentos previstos na legislação e respeitaram os princípios da legalidade, transparência e publicidade. Em relação ao contrato de R$ 54 milhões, a gestão destacou que houve pregão eletrônico.
A G3 também afirmou atuar dentro da legalidade, possuir capacidade técnica, financeira e estrutural para executar os contratos e praticar preços de mercado.
Até o momento, os documentos consultados comprovam a existência das contratações e dos pagamentos, mas não comprovam, por si só, favorecimento ou irregularidade. A eventual existência de ilegalidades dependeria da análise dos processos e da atuação dos órgãos de controle.
Fonte: Folha de São Paulo



