Sergipe está entre os estados com maior número de cidades insustentáveis, aponta Firjan

Mais da metade dos municípios sergipanos não consegue manter equilíbrio financeiro, segundo levantamento nacional

Sergipe ocupa a sétima posição entre os estados com maior índice de cidades financeiramente insustentáveis do país, conforme revelou o mais recente Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF). De acordo com o levantamento, 61% dos municípios sergipanos enfrentam dificuldades para manter suas contas equilibradas. Dos 75 municípios do estado, apenas 29 conseguem arrecadar o suficiente para se manterem sem depender fortemente de transferências externas.

O estudo, elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), avalia a sustentabilidade financeira dos municípios brasileiros com base em dados oficiais de receitas, despesas e investimentos. O índice leva em consideração quatro indicadores principais: autonomia, gastos com pessoal, liquidez e investimentos.

Nordeste concentra as piores posições

O ranking mostra um panorama preocupante para o Nordeste, que concentra os estados com maior percentual de cidades em situação fiscal crítica. O Piauí lidera o ranking nacional, com 83% dos municípios classificados como insustentáveis, seguido por Maranhão, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Bahia. Sergipe aparece na sequência, ocupando a sétima colocação.

Segundo a Firjan, o desempenho dos municípios nordestinos reflete a alta dependência de transferências federais e estaduais e a baixa capacidade de geração de receita própria, o que compromete a autonomia financeira e limita investimentos em infraestrutura e serviços públicos.

Santa Catarina é destaque positivo

Na outra ponta do ranking, Santa Catarina aparece como o estado mais sustentável, com apenas 0,3% de seus municípios em situação de insustentabilidade. Em seguida, estão Rio de Janeiro (2%) e São Paulo (3%), estados que demonstram maior equilíbrio fiscal e eficiência administrativa.

A Firjan destaca que, nesses estados, as prefeituras apresentam melhor planejamento orçamentário, controle de gastos com pessoal e maior capacidade de arrecadação local, fatores determinantes para a manutenção de finanças saudáveis.

Sustentabilidade fiscal como desafio nacional

O levantamento reforça a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da gestão fiscal e da autonomia municipal, especialmente em regiões mais vulneráveis economicamente. A Firjan alerta que a insustentabilidade financeira compromete a capacidade das prefeituras de investir em áreas essenciais, como saúde, educação, mobilidade urbana e meio ambiente.

Especialistas apontam que, sem ajustes estruturais e maior eficiência na arrecadação, os municípios continuarão enfrentando dificuldades para cumprir suas obrigações e promover o desenvolvimento local.

Cenário em Sergipe

Em Sergipe, a situação acende um sinal de alerta. A maioria das cidades do interior depende fortemente de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de transferências estaduais. A baixa diversificação econômica e a limitada base tributária agravam o quadro de vulnerabilidade.

Embora alguns municípios sergipanos tenham demonstrado avanços em planejamento e controle fiscal, a maioria ainda enfrenta dificuldades para equilibrar receitas e despesas, comprometendo investimentos e a capacidade de prestação de serviços à população.

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