
Estado registrou 1.129 vítimas em 2025; crianças e adolescentes representam maioria dos casos classificados como estupro de vulnerável
Sergipe permanece com a maior taxa de estupros entre os estados do Nordeste, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento aponta que o estado registrou 1.129 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025, resultando em uma taxa de 49,1 casos por 100 mil habitantes.
O índice sergipano ficou acima da média nacional, que foi de 39,5 casos por 100 mil habitantes, segundo os dados apresentados pelo Anuário. Mesmo com uma redução de 3,7% no número de registros em comparação com 2024, Sergipe continuou ocupando a primeira posição do Nordeste nesse indicador.
Crianças e adolescentes são maioria das vítimas
Um dos principais alertas apresentados pelo levantamento está relacionado ao perfil das vítimas. Dos 1.129 registros contabilizados em Sergipe, 863 foram classificados como estupro de vulnerável, o equivalente a 76,4% dos casos.
A classificação envolve situações em que a vítima, conforme prevê a legislação, não possui capacidade de consentir, como crianças menores de 14 anos.
O cenário acompanha uma tendência nacional apontada pelo Anuário, que mostra a concentração da violência sexual contra meninas e mulheres. Em 2025, 87,3% das vítimas de estupro no país eram do sexo feminino.
Queda nos registros não significa necessariamente redução da violência
Apesar da diminuição nos números oficiais, especialistas alertam que a redução das ocorrências registradas não deve ser interpretada automaticamente como queda da violência.
Isso porque os dados dependem diretamente da capacidade de denúncia, do funcionamento da rede de proteção e do acesso das vítimas aos serviços públicos.
Casos de violência sexual ainda apresentam grande dificuldade de notificação, principalmente quando envolvem crianças, adolescentes e pessoas próximas ao agressor.
Violência ocorre principalmente em ambientes conhecidos
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca que os crimes sexuais possuem uma característica diferente de outros tipos de violência: frequentemente acontecem em ambientes onde a vítima deveria estar protegida.
A maior parte dos casos ocorre dentro de residências e envolve pessoas conhecidas da vítima, como familiares ou pessoas do círculo de convivência.
Esse cenário reforça a importância do fortalecimento das redes de proteção envolvendo escolas, assistência social, saúde e órgãos de segurança pública.
Desafio para políticas públicas
Os números colocam a violência sexual como um dos principais desafios para as políticas públicas de proteção à infância e adolescência em Sergipe.
Especialistas defendem ações permanentes de prevenção, capacitação dos profissionais que atuam diretamente com crianças e melhoria na integração entre os serviços responsáveis pelo atendimento às vítimas.
Além da investigação e responsabilização dos agressores, o enfrentamento passa pela identificação precoce dos casos e pela criação de ambientes seguros para que vítimas possam denunciar.
Denúncias podem ser feitas pelos canais oficiais
Casos suspeitos ou confirmados de violência sexual podem ser denunciados pelos seguintes canais:
- Disque 100 – Direitos Humanos;
- Polícia Civil – 181;
- Polícia Militar – 190;
- Conselhos Tutelares;
- Delegacias especializadas ou comuns;
- Serviços de saúde e assistência social.
Fonte dos dados: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 – Fórum Brasileiro de Segurança Pública.



