Sergipe pode perder até US$ 50 milhões por ano com tarifaço de Trump nas exportações

Estado é o terceiro mais dependente do mercado americano no Brasil e projeta queda de quase 1% no PIB com novas tarifas sobre petróleo e sucos

Sergipe está entre os estados brasileiros que mais devem sentir os efeitos negativos das novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 31,1% de todas as exportações sergipanas tiveram como destino o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2025, colocando o estado como o terceiro mais vulnerável do país ao chamado “tarifaço”.

Entre janeiro e junho, Sergipe exportou cerca de US$ 54,5 milhões em produtos para os Estados Unidos, com destaque para três setores: petróleo bruto, sucos cítricos e óleos essenciais. Os dois primeiros, sozinhos, representaram mais de 85% do volume exportado no período e são justamente os mais atingidos pelas novas tarifas, que aumentam significativamente os custos para empresas sergipanas e ameaçam sua competitividade internacional.

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Perda estimada de até 0,89% no PIB estadual

Uma análise técnica elaborada pela Desenvolve-SE, órgão de inteligência econômica do estado, estima que o impacto direto do tarifaço poderá resultar numa perda de até 0,89% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Isso se deve à forte concentração das exportações em produtos altamente dependentes do mercado americano, tendência consolidada desde 2024.

“Estamos diante de um choque externo com capacidade real de comprometer nossa balança comercial e o desempenho econômico de segmentos estratégicos da indústria local”, destaca trecho do relatório da Desenvolve-SE.

Tarifas podem tornar produtos sergipanos até 50% mais caros

A política tarifária agressiva adotada por Donald Trump prevê aumentos significativos sobre produtos como petróleo e derivados, além de alimentos processados, categoria que inclui os sucos cítricos. Segundo as estimativas da Desenvolve-SE, apenas os segmentos de petróleo bruto e suco de laranja congelado podem sofrer um acréscimo de até US$ 50 milhões anuais em custos adicionais, comprometendo a competitividade frente a países como México e Canadá, que enfrentam taxas mais baixas ou contam com isenção tarifária graças a acordos comerciais.

Esse novo custo poderá encarecer os produtos sergipanos em até 50% no mercado americano, inviabilizando a permanência de muitos contratos e desestimulando novas exportações.

Queda brusca na receita com suco de laranja congelado

O setor de sucos cítricos, em especial o suco de laranja congelado, é o que mais preocupa analistas e empresários. Atualmente vendido ao mercado norte-americano por cerca de US$ 5,48 por quilograma, o produto passaria a custar mais de US$ 9 com a aplicação da nova tarifa.

De acordo com o relatório da Desenvolve-SE, a receita anual com a venda de sucos cítricos aos EUA poderá despencar de US$ 39,7 milhões para apenas US$ 11,9 milhões, uma retração de quase 70% no faturamento. “Esse impacto é devastador para uma cadeia produtiva que depende diretamente das exportações para manter sua operação e gerar empregos no estado”, alerta o estudo.

Concorrência desigual e cenário de incertezas

A nova política de tarifas dos EUA amplia ainda mais a desigualdade de condições entre os exportadores brasileiros e seus principais concorrentes da América do Norte. México e Canadá mantêm tratados de livre comércio com os Estados Unidos, o que garante acesso privilegiado a esse mercado, enquanto países como o Brasil enfrentam restrições tarifárias crescentes.

Para os exportadores sergipanos, o momento é de incerteza. A elevação das tarifas pode provocar não apenas perda de mercado, mas também fechamento de unidades produtivas e corte de postos de trabalho. “O cenário que se desenha é de prejuízo em cadeia, começando pelo produtor rural e chegando até os terminais portuários”, afirma um economista ligado à Desenvolve-SE.

Governo estadual estuda estratégias para mitigar perdas

Diante do novo cenário, o governo de Sergipe estuda formas de reduzir a dependência do mercado americano e diversificar a pauta exportadora. Entre as alternativas em análise estão a ampliação de parcerias com países da Europa e da Ásia, além do fortalecimento do mercado interno para produtos que perderem espaço no exterior.

A Desenvolve-SE também avalia, junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e às federações empresariais, um pacote de medidas emergenciais para proteger os setores mais impactados.

Exportações por estado: Sergipe no top 3

Embora o ranking completo ainda não tenha sido oficialmente divulgado pelo governo federal, fontes ligadas ao Ministério do Desenvolvimento indicam que Sergipe ocupa a terceira colocação entre os estados com maior percentual de exportações direcionadas aos Estados Unidos. A liderança é de São Paulo e Rio de Janeiro, estados com forte presença industrial e produção de petróleo.

Com uma economia mais enxuta e concentrada em poucos produtos de base, Sergipe se encontra em uma posição vulnerável diante de choques externos. “É um alerta para a necessidade de modernizar e diversificar nossa economia”, afirma o relatório da Desenvolve-SE.

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