Investigado por matar o cão comunitário Zico em Barra dos Coqueiros é servidor concursado do Estado; permanência no cargo provoca indignação e pressão por medidas administrativas

A morte do cão comunitário Zico, brutalmente atacado a faca na última semana no município de Barra dos Coqueiros, ganhou um novo e grave desdobramento. O homem investigado pelo crime é servidor concursado do Governo de Sergipe, atualmente lotado na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise).
O investigado ocupa o cargo de contador e, conforme dados do Portal da Transparência, referentes a janeiro de 2026, recebe R$ 12.505,53 em vencimentos. Mesmo após o episódio de extrema crueldade que resultou na morte do animal comunitário, o servidor permanece vinculado ao quadro funcional do Estado, o que ampliou a repercussão e a indignação em todo o estado.
O caso provocou forte comoção popular, mobilizou protetores independentes, entidades da causa animal e gerou manifestações públicas cobrando justiça. Agora, o episódio ultrapassa a esfera criminal e passa a levantar questionamentos diretos sobre a postura do Governo do Estado diante da manutenção de um servidor investigado por um crime que chocou a sociedade sergipana.
Lei estadual reforça necessidade de responsabilização
A cobrança por providências ganha ainda mais força diante da existência da Lei Estadual nº 9.767/2025, sancionada recentemente pelo próprio Governo de Sergipe. A norma proíbe a nomeação para cargos em comissão e funções de confiança de pessoas condenadas por crimes de maus-tratos a animais, reconhecendo que esse tipo de violência é incompatível com o exercício de funções públicas que exigem ética, responsabilidade e confiança social.
Embora a lei trate especificamente de condenações, especialistas e defensores da causa animal defendem que o caso exige, no mínimo, avaliação administrativa imediata, diante da gravidade dos fatos e do impacto social causado.
Pressão por posicionamento do Estado
Para protetores e entidades ligadas à proteção animal, a permanência do servidor nos quadros do Estado transmite à sociedade uma mensagem preocupante de tolerância institucional à crueldade contra animais. O caso de Zico deixou de ser apenas um episódio isolado e passou a simbolizar um debate mais amplo sobre coerência entre discurso, legislação e prática administrativa.
A expectativa agora é que o Governo de Sergipe se manifeste oficialmente e adote providências compatíveis com a gravidade do caso, respeitando os avanços legais conquistados na proteção animal e o sentimento de justiça da população sergipana.



