Tragédia no Himalaia deixa quase 800 mortos e milhares desaparecidos após colapso de geleira

Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

Uma catástrofe provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia deixou 797 mortos e mais de 3 mil pessoas desaparecidas no Nepal e na China, segundo as autoridades locais citadas pela Reuters. As equipes de resgate enfrentam condições climáticas adversas e novos riscos de deslizamentos e inundações para tentar localizar sobreviventes.

A tragédia ocorreu na quarta-feira, quando uma enorme quantidade de gelo, pedras, lama e detritos desceu pelos vales montanhosos e atingiu áreas próximas à fronteira entre os dois países.

No Nepal, as autoridades contabilizaram 781 mortes e 2.502 desaparecidos. Na China, outras 16 pessoas morreram e 546 estão desaparecidas no condado de Gyirong.

Resgates enfrentam condições extremas

As operações de busca avançam em meio a dificuldades provocadas pelo terreno montanhoso, pelo mau tempo e pelo aumento do nível das águas.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou o episódio como o desastre transfronteiriço mais grave dos últimos anos. Segundo informações divulgadas pela emissora estatal CCTV, ele afirmou que as operações de resgate enfrentam um nível sem precedentes de dificuldade e complexidade.

Cerca de 10 mil soldados nepaleses foram mobilizados para auxiliar nas buscas, além de equipes especializadas.

Novos riscos de inundação

A situação permanece instável mesmo após o escoamento de um lago que ameaçava regiões localizadas rio abaixo.

Segundo a CCTV, drones identificaram um novo deslizamento de terra a aproximadamente 2,8 quilômetros a jusante do lago. O material acabou formando uma nova barreira natural e um novo espelho d’água, aumentando a preocupação das equipes que trabalham na região.

O cenário pode dificultar ainda mais o acesso às áreas atingidas e exigir novas medidas para evitar que o represamento provoque outra onda de inundação.

Projetos hidrelétricos estão entre as áreas mais atingidas

No Nepal, parte das operações de resgate está concentrada em projetos hidrelétricos atingidos pelas enchentes.

Entre os locais afetados está o complexo Upper Trishuli. As autoridades receberam informações de que aproximadamente 350 pessoas poderiam estar presas dentro de um túnel da instalação.

As equipes tentam chegar aos locais atingidos enquanto monitoram os níveis dos rios e possíveis novos deslizamentos.

Mais de 90 mil pessoas podem ter sido afetadas

A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas possam ter sido afetadas pelo desastre.

Além das mortes e desaparecimentos, a enxurrada provocou danos à infraestrutura, atingindo comunidades, estradas, instalações de geração de energia e outras estruturas localizadas nos vales.

A dimensão dos estragos ainda está sendo levantada pelas autoridades, e o número de vítimas pode mudar conforme as equipes conseguem acessar áreas que permanecem isoladas.

Mudanças climáticas entram no debate

A China atribuiu o desastre aos efeitos das mudanças climáticas, em meio às discussões sobre o impacto do aquecimento global nas regiões de alta montanha.

O Himalaia possui extensas áreas cobertas por geleiras e é considerado uma região particularmente vulnerável às mudanças nas condições climáticas. O derretimento e a instabilidade de massas de gelo podem aumentar os riscos de inundações e deslizamentos em áreas localizadas abaixo das geleiras.

No entanto, as causas específicas e a dinâmica que levaram ao colapso que desencadeou o desastre ainda estão sendo avaliadas pelas autoridades e especialistas.

Busca por desaparecidos continua

Com milhares de pessoas ainda desaparecidas, as operações de busca permanecem como prioridade no Nepal e na China.

As equipes utilizam soldados, especialistas e drones para localizar possíveis sobreviventes e avaliar áreas de risco. No entanto, a dificuldade de acesso e a possibilidade de novos deslizamentos tornam a operação especialmente complexa.

As autoridades também precisam equilibrar a necessidade de avançar nas buscas com a segurança dos próprios socorristas.

O desastre já é considerado um dos episódios mais graves registrados recentemente na região do Himalaia e provocou uma mobilização de grande escala dos dois lados da fronteira.

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