Uribe é condenado a 12 anos de prisão por suborno e fraude na Colômbia

Foto: Reprodução da Internet

A Justiça da Colômbia condenou nesta sexta-feira (1º) o ex-presidente Álvaro Uribe a 12 anos de prisão por fraude processual e suborno. A decisão, tomada pela 44ª juíza penal de Bogotá, Sandra Liliana Heredia, impôs ainda prisão domiciliar e multa de US$ 578 mil. Uribe também foi proibido de exercer funções públicas.

É a primeira vez que um ex-presidente colombiano é condenado criminalmente. A sentença, revelada pela agência Reuters, encerra um processo de quase 13 anos marcado por polarização política e embates judiciais.

A condenação ocorre a menos de um ano do início das campanhas para as eleições legislativas e presidenciais de 2026. Aliados de Uribe, fundador do partido de direita Centro Democrático, devem disputar cargos importantes. A defesa anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior de Bogotá.

A acusação aponta que Uribe tentou manipular testemunhas por meio de intermediários, num esforço para desacreditar o senador Iván Cepeda, que o havia ligado a grupos paramilitares. A Justiça concluiu que Cepeda apenas coletou informações como parte de seu trabalho parlamentar, sem pagar ou pressionar depoentes.

O caso teve origem em 2012, quando Uribe denunciou Cepeda. Em 2018, porém, a Suprema Corte rejeitou a acusação e decidiu investigar o ex-presidente por tentativa de obstrução da Justiça.

A decisão judicial provocou reações internacionais. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, questionou a sentença. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rebateu, afirmando que a independência do Judiciário deve ser respeitada. Especialistas alertam que o episódio pode afetar a cooperação entre os dois países, especialmente no combate ao narcotráfico.

Uribe governou entre 2002 e 2010 e conduziu uma ampla ofensiva contra guerrilhas de esquerda. Durante o conflito armado colombiano, que durou mais de 60 anos, grupos paramilitares ilegais surgiram como reação à guerrilha. Segundo a Comissão da Verdade, esses grupos foram responsáveis por mais de 200 mil assassinatos. A maioria foi desmobilizada em 2005, durante o governo de Uribe.

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