Antônio Carlos Valadares critica mudança política do sobrinho Rodrigo Valadares e diz que hoje ele é ‘bolsonarista de quatro costados’

O ex-senador Antônio Carlos Valadares (PSB) fez uma avaliação crítica sobre a guinada política do sobrinho, o deputado federal Rodrigo Valadares (União). Em entrevista concedida ao jornalista Marcos Aurélio, o veterano da política sergipana destacou que o parlamentar, que já teve ligação com o campo progressista, hoje se consolidou como um dos principais nomes do bolsonarismo no estado.

Foto: Divulgação da Internet

Da esquerda ao bolsonarismo

Valadares relembrou que Rodrigo, no início da carreira política, tinha Lula como grande referência. “O líder preferido da vida dele era Lula. De repente ele botou uma Bíblia debaixo do braço e passou a ser evangélico e até pastor. Hoje é adversário cruento do presidente Lula e do PT”, declarou.

Filho do ex-deputado Pedro Valadares, identificado historicamente com a centro-esquerda, Rodrigo iniciou sua trajetória alinhado ao PT e ao então senador Rogério Carvalho. A guinada para a direita, segundo o tio, foi uma escolha pessoal que o afastou do campo político da família.

Distanciamento familiar na política

Embora reconheça o direito constitucional do sobrinho de disputar qualquer cargo, inclusive o Senado, Antônio Carlos deixou claro que as ideias de Rodrigo não encontram respaldo dentro do seu grupo. “Logicamente que hoje as ideias de Rodrigo Valadares não se coadunam com as minhas, nem com a de Valadares Filho. Ele é um bolsonarista de quatro costados, eu sou amigo de Lula, mas eu não sou apaixonado tanto quanto ele é por Bolsonaro”, afirmou.

O ex-senador ressaltou que, apesar das divergências políticas, não deseja o fracasso do sobrinho. “Eu desejo a ele sucesso nas suas ideias e que ele tenha uma carreira política a mais brilhante possível, mas fora do nosso contexto”, completou.

Escolha pessoal

Na avaliação de Antônio Carlos, a mudança de rota política de Rodrigo reflete uma opção individual que deve ser respeitada, ainda que não represente a tradição da família. “Mas é questão de preferência, né? Tem que respeitar. Cada um faz suas escolhas”, disse.

A análise do ex-senador reforça a distância cada vez maior entre os dois ramos da família Valadares, que antes partilhavam espaço no mesmo campo político e hoje se encontram em lados opostos da cena nacional.

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