Em entrevista à CNN, senador afirma que, se dependesse dele, o Progressistas não teria cargos na atual gestão petista.

O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (28) e afirmou que seu partido não tem qualquer identificação com o atual governo. Em entrevista ao programa Agora CNN, o parlamentar disse que, se dependesse exclusivamente dele, o PP não teria nenhum cargo na gestão petista.
“Saiba que é por pouco tempo [que o partido tem cargos no governo]. Se dependesse de mim, nós não teríamos nada nesse governo. Nós não temos identificação, não temos identidade com esse governo”, declarou o senador.
As declarações foram feitas durante um debate ao vivo com a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em meio à discussão sobre a crise política envolvendo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Troca de farpas e passado político em debate
Durante o programa, Maria do Rosário ironizou a postura crítica de Ciro ao governo atual, lembrando que o senador já apoiou Lula no passado. “O senhor tem um pé aqui e outro lá. Nós temos ministros seus também no nosso governo, que prestam serviços importantes”, afirmou a deputada.
A fala remete a declarações feitas por Ciro Nogueira em 2017, quando chegou a classificar Jair Bolsonaro como um político “preconceituoso” e com “caráter fascista”. Naquele mesmo período, o senador elogiava Lula, dizendo que o petista havia sido “o melhor presidente do país, especialmente para o Piauí e o Nordeste”.
Atualmente, Ciro é um dos nomes mais próximos do ex-presidente Bolsonaro, com quem integrou o governo como ministro da Casa Civil.
Rejeição a convites e crítica à política de cargos
O senador afirmou que foi convidado para participar da atual gestão, mas recusou. “Não é por falta de convite que não estou neste governo. Eu não acredito nesse governo e vou ficar até o último dia contra ele, porque tem feito muito mal ao país”, disse.
Segundo Ciro, o governo Lula mantém a prática de “loteamento político” e uso de ministérios como moeda de troca por apoio no Congresso. Ele defendeu a redução do número de pastas e acusou o Planalto de manter estruturas ineficientes apenas para abrigar aliados políticos.
“Metade desses ministérios não serve para nada, a não ser para acomodar pessoas incompetentes. Brasília está infestada de lobistas e companheiros do partido, fazendo muito mal ao Brasil. Isso que eu quero cortar”, afirmou.
Política fiscal e juros altos também foram alvos
Ciro também responsabilizou o governo Lula pela atual política de juros altos no Brasil. Para ele, a culpa não pode mais ser atribuída à gestão anterior do Banco Central. “Por que os juros estão em 15%? A culpa ainda é do Roberto Campos [ex-presidente do BC]? Você sabe que não. É fruto da irresponsabilidade fiscal do seu governo”, disse, em crítica direta à política econômica petista.
Apesar das críticas, o senador reconheceu a importância de programas sociais, como o Pé-de-Meia. “Eu não quero cortar o Pé-de-Meia, que é um bom programa. Quero cortar é o cargo da companheirada”, frisou.
PP dividido no Congresso
Embora Ciro Nogueira defenda publicamente o afastamento do PP do governo Lula, parte do partido ainda ocupa cargos na Esplanada dos Ministérios, especialmente em nomeações ligadas à base de sustentação política. A contradição reflete o atual estado de fragmentação entre discurso e prática dentro do chamado centrão.
A posição do senador aumenta a pressão interna por um posicionamento mais claro do Progressistas sobre seu papel na aliança com o Planalto. Internamente, há quem defenda a permanência na base governista como forma de garantir recursos e influência nos estados.



