CPI do Crime Organizado será instalada na terça-feira e deve investigar atuação de facções e milícias

Anúncio foi feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre; comissão tem autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou nesta quarta-feira (29) que a CPI do Crime Organizado será instalada na próxima terça-feira (4). A decisão foi tomada em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que propôs a criação da comissão.

A CPI terá como objetivo investigar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado no país, com foco especial na atuação de milícias e facções criminosas.

Em suas redes sociais, Alcolumbre destacou que o Senado pretende contribuir para o enfrentamento nacional a esses grupos.

“É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, afirmou o presidente.

Contexto de violência no Rio de Janeiro

O anúncio ocorre em meio à repercussão de uma grande operação conjunta das Polícias Militar e Civil nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28). A ação, segundo o governo estadual, resultou em mais de 100 prisões e 119 mortos.

A operação foi considerada uma das mais letais dos últimos anos e reacendeu o debate sobre segurança pública, uso da força policial e políticas de combate ao crime organizado.

Alcolumbre afirmou que a CPI pretende ouvir autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para compreender a dinâmica dessas organizações criminosas e propor soluções estruturais e integradas.

Divergências políticas e críticas ao governo federal

A instalação da CPI também ocorre em um momento de tensões políticas em torno da segurança pública. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou o governo federal, alegando que o Palácio do Planalto não teria atendido pedidos de apoio do governo do Rio de Janeiro para a operação nas comunidades.

O senador afirmou que a PEC da Segurança (PEC 18/2025), enviada pelo Executivo ao Congresso em abril, não resolve os problemas do setor. Segundo ele, a proposta concentraria poder excessivo na esfera federal.

“Não é a PEC da Segurança que vai resolver o problema, pois ela dá uma espécie de domínio para o governo federal”, disse Marinho.

O parlamentar foi ainda mais enfático ao criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“O presidente Lula tem uma visão bizarra sobre segurança pública, que tem muito mais a ver com a proteção aos criminosos e com o desprezo pelos direitos da sociedade brasileira.”

Marinho também comentou o cenário de violência no Rio de Janeiro:

“O que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma ponta de iceberg. Nós lamentamos a letalidade, que morram tantas pessoas. Mas imaginar que vai chegar em territórios faccionados para prender líderes, não vai acontecer”, declarou.

A PEC da Segurança

A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), que ainda aguarda votação na Câmara dos Deputados, propõe mudanças na forma como as forças de segurança se articulam com o governo federal. A proposta pretende estabelecer mecanismos de coordenação entre União, estados e municípios, mas enfrenta resistência de parlamentares da oposição, que a veem como uma tentativa de centralizar o controle das políticas de segurança nas mãos do Executivo federal.

O texto também prevê a criação de um sistema nacional de informações sobre criminalidade e violência, além de diretrizes para a atuação conjunta das polícias. O governo argumenta que a medida busca modernizar e padronizar as ações de segurança, garantindo mais eficiência no enfrentamento ao crime organizado.

CPI deve começar com foco em milícias e lavagem de dinheiro

Segundo fontes do Senado, os primeiros trabalhos da CPI do Crime Organizado devem se concentrar nas milícias do Rio de Janeiro e em organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Também estão previstas investigações sobre a lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de facções em diferentes estados.

A comissão deve ser composta por 11 titulares e 7 suplentes, representando proporcionalmente os blocos partidários do Senado. Após a instalação, os senadores escolherão o presidente e o relator da CPI, que definirão o cronograma de audiências e diligências.

A expectativa é que as primeiras oitivas comecem ainda em novembro.

Combate ao crime como pauta permanente

A criação da CPI reflete uma demanda crescente por políticas de segurança pública mais efetivas, em um contexto de aumento da violência em várias regiões do país. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que as facções criminosas ampliaram sua presença em mais de 60% dos municípios brasileiros.

Parlamentares da base e da oposição concordam que a atuação dessas organizações ultrapassa fronteiras estaduais e exige cooperação entre as instituições policiais e o sistema de Justiça.

Para Alessandro Vieira, autor do requerimento da CPI, o objetivo é dar respostas concretas à sociedade:

“Precisamos entender como o crime se estrutura, como se financia e como se infiltra em setores do Estado. Essa CPI é um passo necessário para recuperar a capacidade do poder público de enfrentar o crime organizado.”

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