Deputado Georgeo Passos questiona novos empréstimos e alerta para endividamento de Sergipe

Assembleia votará quatro projetos do governo que somam cerca de R$ 2 bilhões; oposição levanta preocupação sobre saúde financeira do estado

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) deve votar nesta quinta-feira, 17, quatro projetos de lei enviados pelo Governo do Estado que solicitam autorização para a contratação de novos empréstimos, somando aproximadamente R$ 2 bilhões. O anúncio foi feito pelo deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania), durante a sessão ordinária desta quarta-feira, 16.

De acordo com o parlamentar, inicialmente seriam três pedidos, mas um quarto projeto foi protocolado recentemente pelo Executivo. “Inicialmente tínhamos três pedidos de empréstimos para votar. Mas essa semana chegou mais um. Serão quatro projetos de empréstimos”, explicou Georgeo, destacando a magnitude das cifras envolvidas.

Foto: Jadilson Simões

Oposição levanta dúvidas sobre necessidade dos empréstimos

Durante sua fala em plenário, o deputado Georgeo Passos questionou a real necessidade dos empréstimos, levantando dúvidas sobre a saúde fiscal do Estado. “Lembro que as pessoas quando estão precisando de empréstimo é porque estão com dificuldades financeiras ou por alguma urgência para socorrer. Nesse caso, não sei se o Estado de Sergipe está quebrado e precisa de quatro novos empréstimos”, afirmou.

O deputado também ressaltou que a gestão estadual tem, por diversas vezes, afirmado que o caixa está equilibrado. No entanto, para ele, o pedido de novos financiamentos sugere um cenário diferente. “Pra mim faz algo em sentido contrário, quando pede mais empréstimos é sinal que no mínimo a situação financeira do estado não está boa. Portanto, vamos debater esse tema aqui amanhã, na última sessão do semestre, com bastante tranquilidade”, completou.

Georgeo votará contra os projetos

Firme em sua posição, Georgeo Passos antecipou que votará contra a autorização dos empréstimos. Ele afirmou estar preocupado com o aumento do endividamento do estado e os impactos futuros para a população sergipana.

“O povo sergipano irá pagar caro breve com esses inúmeros empréstimos feitos nesse governo. Tenho certeza que a conta será alta e isso poderá prejudicar muito em diversas áreas. Se realmente a situação financeira de Sergipe fosse boa não precisaria contrair empréstimos”, alertou.

Votação será realizada na última sessão antes do recesso parlamentar

A votação dos quatro projetos está prevista para esta quinta-feira, 17, que marca a última sessão do semestre legislativo antes do recesso. A expectativa é de que a sessão seja movimentada, com debates entre parlamentares da base governista e da oposição.

Até o momento, o Governo do Estado não se pronunciou publicamente sobre os novos pedidos de empréstimos ou sobre os questionamentos levantados pela oposição. Também não foram divulgados detalhes sobre a destinação dos recursos solicitados.

Contexto político e econômico

A movimentação do governo para ampliar sua capacidade de financiamento ocorre em um momento de discussões nacionais sobre responsabilidade fiscal e controle do endividamento público. Em Sergipe, a gestão tem sido marcada por discursos que apontam equilíbrio financeiro e investimentos em infraestrutura, saúde e educação.

Contudo, a insistência em novos financiamentos tem gerado desconforto em setores da oposição, que enxergam contradições entre o discurso oficial e as ações práticas. A preocupação gira em torno do comprometimento das futuras gestões com o pagamento das dívidas e o impacto sobre o orçamento estadual.

Caminho das propostas

Após a votação na Alese, caso sejam aprovados, os projetos permitirão que o Governo do Estado avance com as negociações junto a instituições financeiras, nacionais ou internacionais, para efetivação dos empréstimos. O trâmite legal exige autorização legislativa prévia, como estabelece a Constituição Estadual e a legislação federal sobre endividamento público.

A expectativa agora gira em torno do posicionamento dos demais deputados e do comportamento da base aliada do governador durante a votação.

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