O dólar operava em alta de 0,80% na manhã desta sexta-feira (11), cotado a R$ 5,5864, por volta das 11h. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,66%, aos 135.838 pontos, refletindo o nervosismo do mercado diante do agravamento nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

A escalada de tensão foi provocada pela decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O anúncio gerou forte reação nos mercados e acendeu o alerta entre investidores.
Na quinta-feira (10), o Ibovespa já havia recuado 0,54%, pressionado pelas ações de exportadoras, como a Embraer, que tem quase um quarto da receita oriunda de vendas aos EUA. O dólar também subiu no dia anterior, com investidores buscando proteção diante do cenário externo mais conturbado.
Entre os setores mais ameaçados pela nova tarifa estão os de petróleo, aço, café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves. Segundo levantamento da XP Investimentos, empresas como Suzano, Tupy, Jalles Machado e Frasle Mobility também estão entre as mais expostas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu prometendo aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica. A legislação, aprovada em resposta às tarifas impostas por Trump em mandatos anteriores, prevê retaliações comerciais equivalentes.
A crise ganhou contornos políticos. Na carta enviada a Lula, Trump citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e classificou o julgamento dele no STF como “vergonha internacional”. A retórica acentuou o embate diplomático entre os dois países.
Além das tensões bilaterais, o impacto global do tarifaço também preocupa. Trump anunciou tarifa de 35% sobre produtos canadenses e prometeu novas medidas contra a União Europeia. Desde o início da semana, 23 países receberam notificações com novas condições comerciais, sendo o Brasil o mais penalizado até agora.
O temor é que a alta do dólar eleve a inflação e obrigue o Banco Central a manter os juros em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. “Se o dólar permanecer alto, a inflação persiste e o Brasil pode entrar em recessão”, disse Robson Gonçalves, economista e professor da FGV.
Desempenho acumulado
- Dólar comercial:
- Semana: +2,18%
- Mês: +2,01%
- Ano: -10,31%
- Ibovespa:
- Semana: -3,20%
- Mês: -1,52%
- Ano: +13,68%
O mercado segue atento às reações do governo brasileiro e às próximas medidas de Trump. A expectativa é de que novas declarações ou sanções comerciais sejam feitas ainda nesta sexta.



