A ação conjunta das forças policiais cumpriu 36 mandados e resultou na morte do líder da organização criminosa em Santa Luzia do Itanhy.
Ação integrada mira facção com atuação interestadual
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Ilhéus (Ficco/Ilhéus) deflagrou, na madrugada desta quarta-feira (30), a Operação Frater Dominus, que teve como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, armas, homicídios e lavagem de dinheiro.
A operação contou com o apoio da Polícia Civil da Bahia, Polícia Militar da Bahia, além do Departamento de Narcóticos (Denarc) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil de Sergipe.

Confronto em Santa Luzia do Itanhy
Durante o cumprimento das ordens judiciais, o líder da facção criminosa com atuação no sul da Bahia foi localizado em uma chácara no município de Santa Luzia do Itanhy, em Sergipe.
Segundo informações das forças de segurança, o suspeito reagiu à abordagem policial e morreu em confronto. A identidade dele não foi divulgada até o momento, mas as investigações apontam que ele era o principal articulador da rede criminosa, responsável por coordenar as operações do grupo na Bahia e em Sergipe.
Mandados e alvos prioritários
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão, expedidos pelo Juízo da Comarca de Ubaitaba (BA). As ações ocorrem em Ubaitaba, Maraú, Itacaré, Salvador, Itapetinga e Itabuna, na Bahia, e também em Santa Luzia do Itanhy, no estado de Sergipe.
Entre os alvos prioritários, estão funcionários públicos, políticos e lideranças criminosas apontadas como mandantes de crimes violentos e operadores financeiros da facção.
Estrutura e ramificações da organização
De acordo com as investigações, a facção possuía forte estrutura hierárquica e logística, com ramificações em diversos municípios baianos e conexões diretas com fornecedores de drogas e armas em outros estados do Nordeste.
A organização é suspeita de envolvimento em diversos homicídios relacionados à disputa pelo controle do tráfico de drogas no litoral sul da Bahia e lavagem de dinheiro através de empresas de fachada e movimentações bancárias irregulares.
As apurações indicam que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em transações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas dos envolvidos.
Sequestro de bens e descapitalização da facção
Com base nesses indícios, a Justiça determinou a medida cautelar de sequestro de bens oriundos da atividade criminosa. A decisão visa descapitalizar a facção, impedindo que seus membros continuem financiando operações ilegais e garantindo a efetividade da persecução penal.
Os bens apreendidos incluem veículos de luxo, imóveis e valores em contas bancárias. O montante total ainda será contabilizado pelas autoridades financeiras e periciais.
Mobilização das forças policiais
Mais de 150 policiais participaram da ação conjunta. Pela Polícia Civil da Bahia, atuaram equipes da Draco, Denarc e Depin (por meio da Dirpin Sul, 6ª e 7ª Coorpins). Em Sergipe, as ações foram coordenadas pela CORE/SE e pelo Denarc/SE.
Já a Polícia Militar da Bahia mobilizou equipes das unidades especializadas CIPE Cacaueira, Rondesp Sul, TOR, CPR Sul e CPR Recôncavo.
De acordo com as forças de segurança, o sucesso da operação foi resultado de meses de investigação e monitoramento do grupo, que vinha sendo acompanhado de forma sigilosa por equipes integradas das polícias dos dois estados.
Integração interestadual no combate ao crime
A Operação Frater Dominus reforça o trabalho de cooperação entre os estados da Bahia e de Sergipe no enfrentamento ao crime organizado. Segundo as autoridades, a atuação conjunta tem se mostrado essencial para enfraquecer facções que ultrapassam fronteiras estaduais e afetam a segurança pública regional.
“A integração das forças policiais tem sido determinante para o êxito das operações. Esse tipo de ação demonstra que o crime organizado não tem limites territoriais, e o nosso combate também não terá”, afirmou um dos coordenadores da Ficco/Ilhéus.
Próximos passos das investigações
Os presos estão sendo interrogados e encaminhados para unidades prisionais de segurança máxima na Bahia. As investigações seguem em curso para identificar novos integrantes da organização e rastrear os fluxos financeiros ligados ao grupo.
As autoridades destacaram que novas fases da operação podem ocorrer nas próximas semanas, com o cumprimento de mandados de prisão pendentes e bloqueio adicional de bens.
“O objetivo é atingir não apenas os executores, mas também quem financia e se beneficia dessas atividades ilícitas”, destacou uma fonte da investigação.



