Opinião: A pesquisa que colocou o grupo de Fábio diante do espelho

Parece que alguém esqueceu de avisar à eleição de Sergipe que ela já estava decidida.

Enquanto parte do grupo governista se acostumou a tratar a vitória de Fábio Mitidieri como algo praticamente protocolar, a nova pesquisa RealTime Big Data resolveu colocar um pouco de água fria nessa festa antecipada.

Fábio aparece com 43%. Valmir de Francisquinho vem logo atrás, com 38%. Cinco pontos de diferença.

No segundo turno, a história fica ainda mais indigesta para quem já estava escolhendo o sabor do bolo da comemoração: 46% para Fábio contra 43% para Valmir. Um cenário de empate técnico dentro da margem de erro.

Não significa que Fábio perdeu. Muito menos que Valmir ganhou.

Significa algo bem mais simples e, talvez por isso mesmo, incômodo: não existe essa tranquilidade toda que alguns querem vender.

E tem mais.

A mesma pesquisa aponta 67% de aprovação ao governo Fábio Mitidieri. Portanto, o discurso fácil de que tudo se resume à rejeição do governo também não explica os números.

A conta é mais complicada.

E é justamente aí que mora o perigo para quem transformou pesquisa em peça de propaganda.

Porque aprovação não é voto. Apoio político não é voto. Foto com liderança não é voto. Palanque cheio não é voto.

Voto é voto.

E a urna não lê release, não acompanha postagem de rede social e muito menos se impressiona com o tamanho da comitiva.

Talvez o maior problema dessa pesquisa não esteja nos 43% de Fábio.

Está nos 38% de Valmir.

Porque, quando o adversário aparece perto demais, aquela conversa de “já ganhou” começa a ficar com cara de piada contada antes da hora.

E eleição em Sergipe ainda tem muita estrada pela frente.

O grupo governista continua tendo números importantes a seu favor, inclusive a aprovação da gestão. Mas transformar liderança em vitória antecipadamente pode ser exatamente o tipo de erro que uma campanha não pode cometer.

A política sergipana já viu muita eleição que parecia resolvida virar história completamente diferente na hora da contagem dos votos.

Por isso, talvez seja hora de guardar os foguetes.

A pesquisa não colocou Valmir no Palácio. Também não tirou Fábio de lá.

Mas fez uma coisa que pode ser ainda mais importante:

tirou muita gente da zona de conforto.

E, em uma eleição, às vezes é justamente quando o grupo para de comemorar e começa a perceber o tamanho do adversário que a disputa realmente começa.

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