PCC usou moradores de Santo Amaro de Brotas para criar empresas de fachada em esquema de lavagem milionária

O Primeiro Comando da Capital (PCC) cooptou cinco moradores da pequena cidade de Santo Amaro de Brotas, no Sergipe, para montar empresas de fachada e movimentar milhões de reais em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Uma dessas pessoas chegou a registrar em seu nome mais de uma centena de empresas ligadas à cadeia de combustíveis, segundo investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

As descobertas fazem parte da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo MPSP, que mapeou mais de 700 empresas controladas pelo crime organizado. De acordo com os investigadores, o objetivo era infiltrar o capital obtido por atividades ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando, em setores da economia formal, principalmente o de combustíveis.

Foto divulgação da PF

O papel dos moradores de Santo Amaro de Brotas

Segundo as autoridades, os cinco moradores da cidade sergipana foram aliciados pelo grupo para servir como “laranjas” no esquema. Com documentos e contas bancárias em seus nomes, eles assumiram formalmente a titularidade das companhias, permitindo que o PCC expandisse seus negócios e mantivesse a aparência de legalidade.

Os promotores destacam que esse tipo de cooptação é uma estratégia comum do crime organizado para dificultar o rastreamento financeiro. “Ao espalhar o capital em nomes de terceiros e abrir múltiplas empresas, a organização fragmenta os valores e dificulta a detecção pelas autoridades fiscais e bancárias”, explicou um investigador envolvido no caso.

Rede milionária em combustíveis

Uma das revelações mais alarmantes é que apenas um desses moradores tinha, em seu nome, mais de cem empresas relacionadas ao setor de combustíveis. O ramo é considerado estratégico para a lavagem de dinheiro por envolver grandes volumes de transações diárias e pela possibilidade de misturar receitas lícitas e ilícitas com facilidade.

De acordo com o MPSP, o setor de combustíveis tem sido alvo recorrente da atuação do PCC. As empresas criadas serviam tanto para movimentar recursos quanto para adquirir ativos, mascarando o dinheiro vindo de atividades criminosas.

Estrutura empresarial do crime organizado

O levantamento do Ministério Público mostra que o PCC estruturou uma rede empresarial com ramificações em vários estados do Brasil. Foram identificadas mais de 700 empresas ligadas ao grupo, que se espalham por diferentes setores da economia, incluindo transporte, construção civil e comércio.

Os investigadores afirmam que a sofisticação do esquema indica uma clara evolução do grupo, que há anos deixou de ser apenas uma facção voltada ao tráfico e passou a operar como uma verdadeira organização criminosa empresarial.

Impactos locais e nacionais

Em Santo Amaro de Brotas, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes, a notícia da participação de moradores em um esquema dessa magnitude causou surpresa. A presença do crime organizado em municípios pequenos expõe a capacidade de capilarização da facção, que consegue aliciar cidadãos comuns em comunidades distantes dos grandes centros urbanos.

No âmbito nacional, a descoberta reforça os desafios das autoridades em combater a lavagem de dinheiro. A fragmentação de empresas em nomes de laranjas e a utilização de setores estratégicos da economia dificultam a atuação dos órgãos de controle e ampliam a capacidade de o crime organizado se manter financeiramente ativo.

Com Informações: VEJA.COM

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