Quando o marketing encontra os números, a propaganda cai

Fala, meu povo. Política pode até viver de discurso, vídeo bem editado e slogan bonito, mas tem uma coisa que não perdoa: número. Pesquisa não se contorna com narrativa e nem se resolve com postagem em rede social. Quando os dados aparecem, a realidade bate na porta, e pelo visto, bateu forte no Palácio dos Despachos.

A mais recente pesquisa do Atlas Intel, divulgada nesta quarta-feira (17/12), desmonta a imagem de “governo aprovado” que o governador Fábio Mitidieri tenta vender aos sergipanos. Os números mostram um cenário bem diferente da propaganda oficial e acendem um alerta que não pode ser ignorado.

Hoje, 45% da população desaprova o governo, enquanto apenas 39% aprova. Ou seja, mais gente rejeita do que apoia. Na avaliação geral, o retrato é ainda mais claro: 24% consideram o governo ruim ou péssimo, 54% dizem que é regular e só 20% avaliam como bom. Traduzindo: o governo não empolga, não convence e vive de expectativa, não de resultado.

Quando o recorte vai para as áreas do dia a dia do povo, a situação piora. Na segurança pública, mais da metade da população (53%) avalia como ruim ou péssima. Na saúde, o mesmo índice: 50% reprovam, contra apenas 21% que aprovam. Na educação, 42% acham ruim, enquanto 29% consideram boa.

O discurso de modernidade também não resiste quando o assunto é transparência e combate à corrupção. Nesse quesito, 54% avaliam a atuação do governo como ruim, e só 17% enxergam algo positivo. Em infraestrutura, a reprovação chega a 53%. No combate à pobreza, 55% dos sergipanos dizem que o governo vai mal. Até a responsabilidade fiscal, tão exaltada em discursos oficiais, aparece com 53% de avaliação negativa.

O transporte público, problema antigo do estado, segue sem solução aos olhos da população: 54% reprovam. A carga tributária pesa no bolso e também na pesquisa: 51% avaliam como ruim. Em moradia, urbanização e saneamento, mais da metade (51%) não vê avanço algum.

Existem, sim, alguns pontos fora da curva. Turismo, cultura e eventos aparecem melhor avaliados, com 44% de aprovação. A agricultura também tem saldo positivo relativo, com 38% de avaliação boa. Mas são ilhas em meio a um oceano de insatisfação.

No fim das contas, a pesquisa deixa uma mensagem clara: não adianta slogan bonito, vídeo bem produzido ou discurso ensaiado. O povo avalia pelo que sente no dia a dia, na fila do hospital, no medo da violência, no ônibus lotado e no bolso apertado. E, nesse quesito, o tal “Governo do Futuro” parece ainda não ter chegado para a maioria dos sergipanos.

Porque propaganda pode até enganar por um tempo. Número, não.

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