Mais de 100 mil alunos ficam sem aulas em Sergipe após paralisação de professores por retomada do triênio

Mobilização coordenada pelo Sintese ocorreu em todos os 75 municípios e cobra posicionamento do Governo do Estado sobre gratificação por tempo de serviço

Mais de 100 mil estudantes da rede estadual de ensino de Sergipe ficaram sem atividades escolares nas últimas 24 horas, em decorrência da paralisação deflagrada por professores da educação básica. A mobilização, coordenada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), teve como objetivo pressionar o Governo do Estado a apresentar uma resposta efetiva sobre a retomada do triênio, gratificação por tempo de serviço que integra a política de valorização do magistério.

A paralisação, que contou com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), envolveu professores de todos os 75 municípios sergipanos, refletindo o descontentamento da categoria com a ausência de avanços nas negociações.

Foto: Divulgação Sintese

Mobilização em todo o estado

Nas primeiras horas da manhã de ontem, educadores realizaram ações de panfletagem e diálogo com a população nos principais terminais de integração da capital e da Grande Aracaju. A ação buscou esclarecer à sociedade os motivos da paralisação e sensibilizar a comunidade sobre a importância da pauta.

As atividades ocorreram simultaneamente no Terminal DIA, Terminal do Mercado, Terminal da Rodoviária Nova, Terminal Maracaju, Terminal da UFS e Terminal do Marcos Freire.

Após as panfletagens, por volta das 8h, os trabalhadores em educação se concentraram em frente à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), onde foi realizado um ato público. Cartazes, faixas e palavras de ordem marcaram o protesto, que, segundo os organizadores, teve caráter pacífico e reivindicatório.

Reivindicações do Sintese

De acordo com o presidente do Sintese, professor Roberto Silva, a principal demanda é a retomada imediata do direito ao triênio, suspenso há alguns anos.

“O que esperamos, neste momento, é o envio do Projeto de Lei para a Assembleia Legislativa de Sergipe, retomando o direito do triênio, assegurando o nosso direito. Apresentamos uma contraproposta dentro do limite financeiro de 70 milhões de reais por ano, durante três anos, seguindo o que foi apontado pelo próprio governador. O que não dá mais é essa indefinição sem fim. Precisamos de resposta concreta”, destacou o dirigente sindical.

O triênio é uma gratificação concedida a servidores públicos a cada três anos de serviço, funcionando como instrumento de valorização profissional e incentivo à permanência no magistério.

Segundo o Sintese, a categoria aguarda há meses uma posição oficial do Governo do Estado sobre o tema. Para o sindicato, o impasse reflete a falta de compromisso com a valorização dos profissionais da educação.

Posição do Governo e decisão judicial

Em resposta à paralisação, o Governo de Sergipe divulgou uma nota oficial citando decisão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) que considera ilegal a paralisação dos professores. Segundo o governo, a manutenção das atividades escolares é um dever legal e o movimento do Sintese teria descumprido o deferimento judicial que impede interrupções no calendário letivo.

A gestão estadual também informou que segue em diálogo com a categoria e que analisa a viabilidade financeira das demandas apresentadas. O Governo afirma que tem buscado manter o equilíbrio fiscal e que qualquer reajuste ou gratificação precisa ser compatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Clima de tensão e expectativa por negociação

Mesmo diante do posicionamento do governo, o Sintese mantém a pressão e não descarta novas mobilizações caso não haja resposta concreta às reivindicações. A direção do sindicato também reforça que a paralisação foi um ato simbólico, com o objetivo de chamar atenção da sociedade e do poder público para a urgência da retomada do triênio.

Durante o ato em frente à Sefaz, professores destacaram que a luta pela valorização do magistério é também uma luta pela qualidade da educação pública.

“Sem valorização dos educadores, não há ensino de qualidade. Essa é uma causa de todos nós”, afirmaram em discursos e nas redes sociais da entidade.

Impacto nas escolas e próximos passos

Com a suspensão das atividades, mais de 100 mil estudantes ficaram sem aula em diferentes regiões do estado, incluindo a capital, Aracaju, e municípios do interior. A paralisação afetou turmas do ensino fundamental e médio, além das escolas de tempo integral.

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) ainda não divulgou um balanço oficial sobre o número de unidades escolares afetadas, mas confirmou que as aulas devem ser retomadas normalmente nesta quarta-feira (15).

O Sintese, por sua vez, informou que pretende realizar nova assembleia geral nos próximos dias para discutir os próximos passos do movimento e avaliar a resposta do governo.

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