Trump defende Bolsonaro e acusa Justiça brasileira de perseguição política

Em publicação na Truth Social, presidente dos EUA critica julgamento de Bolsonaro no STF e diz que o ex-presidente “não é culpado de nada”.

Foto da Internet

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se posicionar publicamente em defesa de Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (7), ao afirmar que o ex-presidente brasileiro é alvo de uma “caça às bruxas” promovida pelo sistema de Justiça do país. A declaração foi publicada na rede social de Trump, a Truth Social, e reacendeu o debate sobre a politização de julgamentos envolvendo líderes conservadores.

“O Brasil está fazendo uma coisa terrível em seu tratamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu Trump. “Eu tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de ir atrás dele, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, afirmou o presidente americano.

Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Ele também está inelegível desde junho de 2023, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o considerou culpado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante as eleições de 2022.

Comparações com Netanyahu e acusações de parcialidade

No texto publicado em sua rede, Trump vai além e faz um paralelo entre o caso brasileiro e o que, segundo ele, ocorre em outros países. “Estarei assistindo à caça às bruxas de Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores, muito de perto. O único julgamento que deveria estar acontecendo é um julgamento pelos eleitores do Brasil chama-se eleição. Deixem Bolsonaro em paz”, escreveu.

O presidente americano também comparou a situação de Bolsonaro à do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, outro aliado político que enfrenta acusações judiciais. Para Trump, ambos são vítimas de perseguições com motivação política.

A publicação também menciona que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi “muito apertada” e que, atualmente, Bolsonaro “está liderando nas pesquisas” uma afirmação que não encontra respaldo nos levantamentos recentes de intenção de voto divulgados no Brasil.

Alianças ideológicas e discurso populista

O gesto de Trump reforça a aliança entre lideranças da extrema-direita internacional e mantém o ex-presidente brasileiro em evidência no cenário político global, mesmo após sua saída do poder. A estratégia de reforçar a narrativa de perseguição política tem sido usada tanto por Trump quanto por Bolsonaro em suas respectivas defesas públicas.

“Isso não é nada mais, nada menos, do que um ataque a um oponente político algo que eu sei muito sobre! Aconteceu comigo, vezes 10, e agora nosso país é o ‘mais quente’ do mundo!”, escreveu Trump, fazendo alusão ao seu próprio histórico judicial nos Estados Unidos, onde responde a diversos processos na Justiça Federal e Estadual.

Reações e desdobramentos

As declarações de Trump repercutiram rapidamente nas redes sociais e na imprensa internacional. O apoio do presidente norte-americano a Bolsonaro foi celebrado por aliados do ex-presidente no Brasil, enquanto setores do governo Lula e de instituições como o STF ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a fala.

Em Brasília, analistas políticos apontam que a manifestação pública de Trump pode fortalecer a narrativa bolsonarista de que o ex-presidente é alvo de uma perseguição orquestrada. No entanto, também alertam para o risco de ingerência em assuntos internos do Brasil por parte de lideranças estrangeiras.

Nos bastidores, integrantes do Judiciário classificaram a fala de Trump como “inoportuna” e “politicamente motivada”, destacando que o sistema de Justiça brasileiro é autônomo e segue os ritos constitucionais.

Eleições e o futuro político de Bolsonaro

Apesar de inelegível até 2030, Bolsonaro continua exercendo forte influência sobre a direita brasileira. Seu nome ainda é citado como principal liderança de oposição ao governo Lula, e ele tem se mantido ativo em eventos políticos, redes sociais e encontros com apoiadores.

O endosso de Trump pode reanimar a base bolsonarista e reforçar a estratégia de vitimização adotada pela defesa do ex-presidente, que nega qualquer envolvimento em tentativa de golpe e sustenta que a atuação do STF é “excessiva”.

Para analistas, o gesto de Trump sinaliza também um movimento de aproximação entre os discursos das lideranças de direita internacional, que devem ganhar força com a proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos em novembro deste ano.

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